IBC-Br mostra PIB do Brasil em alta em Janeiro

Divulgada a leitura do IBC-Br pelo Banco Central do Brasil, um indicador que funciona como uma proxy do PIB. O dado veio forte, com alta de 0,89% em janeiro na comparação com dezembro, indicando que a economia está mais aquecida do que o esperado.

A interpretação desses indicadores de alta frequência sempre tem desafios. Na semana passada, tivemos dados mistos: queda do varejo restrito, mas alta do varejo ampliado, além de queda na Pesquisa Mensal de Serviços (PMS). O IBC-Br, por ser um indicador mais agregado, considera um conjunto maior de dados e, por isso, tem um peso relevante na análise da atividade econômica.

No trimestre móvel encerrado em janeiro, o IBC-Br subiu 3,39% em relação ao mesmo período do ano anterior, mostrando aceleração. No acumulado de 12 meses, houve uma leve desaceleração, passando de 3,88% em dezembro para 3,82% em janeiro, mas ainda assim indicando um crescimento significativo. Se esse ritmo se mantivesse para o ano fechado, o PIB estaria crescendo 3,82% ao ano, um nível elevado.

O debate econômico no primeiro trimestre de 2025

A grande questão agora é qual será a intensidade dessa desaceleração da economia brasileira. Há sinais de arrefecimento, mas ainda não está claro se será algo significativo ou apenas um ajuste moderado. Esse será um dos temas centrais na decisão do Banco Central na Super Quarta, quando tanto o Fed quanto o BC brasileiro divulgarão suas decisões de política monetária.

No Brasil, o mercado já espera um aumento de 1 ponto percentual na taxa Selic, levando os juros a 14,25% ao ano. A dúvida principal é sobre a sinalização do Banco Central para os próximos passos. É pouco provável que haja um “forward guidance” explícito, e a decisão dependerá dos dados que surgirem ao longo do tempo. No entanto, o BC deve reconhecer algum nível de desaceleração na atividade econômica, conforme já mencionado por diretores da instituição.

Cenário internacional: China e Estados Unidos

Na China, o governo anunciou mais um pacote de estímulos, desta vez focado no consumo e no setor imobiliário. Houve corte nos juros dos financiamentos imobiliários, além do uso de bancos públicos para tentar reaquecer o setor. Outros incentivos também foram adotados para impulsionar o consumo. Essa notícia animou os mercados: na sexta-feira, a bolsa brasileira subiu quase 3%, acumulando alta de 3% na semana, impulsionada pela recuperação do minério de ferro, petróleo e ações da Petrobras, além de outras commodities. O real também se valorizou, abrindo o dia a R$ 5,70 por dólar.

Nos Estados Unidos, esta será uma semana importante com a decisão do Fed na quarta-feira. O mercado já trabalha com a expectativa de três cortes de 0,25 ponto percentual nos juros ao longo do ano, começando no fim do primeiro semestre. Os dados de atividade econômica nos EUA têm mostrado alguma fraqueza, com queda nas vendas do varejo e uma projeção do Fed de Atlanta apontando contração de 2% no PIB no primeiro trimestre. O mercado de trabalho também dá sinais de moderação, reforçando a expectativa de cortes na taxa de juros.

Essa decisão do Fed e o tom do comunicado serão fundamentais para os mercados globais. Além disso, esta semana também traz decisões de juros na China, no Reino Unido e em outros países, tornando-se um período crucial para a política monetária global.

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