IBC-Br mostra queda do PIB em Maio

Acaba de sair o dado do IBC-Br de maio, indicador do Banco Central que serve como uma proxy do PIB. O resultado mostrou uma queda de 0,74% na comparação com abril, reforçando a tendência de desaceleração econômica já observada em outros indicadores divulgados recentemente. Em maio, tivemos queda na Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), apesar de uma leve alta no conceito ampliado, puxada por materiais de construção e veículos. Também vimos retração na produção industrial (PIM) e uma expansão modesta de 0,2% nos serviços (PMS), conforme divulgado na última sexta-feira.

Esses dados sugerem que, embora o nível de atividade ainda esteja elevado, a economia brasileira vem perdendo fôlego na margem. O IBC-Br, por agregar vários indicadores de atividade monitorados pelo Banco Central, reforça esse diagnóstico de desaceleração mais ampla no mês de maio.

O Relatório Focus também foi atualizado nesta manhã. A expectativa para a inflação de 2025 (IPCA) caiu novamente, agora para 5,18%, cada vez mais próxima dos 5% que considero um patamar razoável para este ano. A projeção de crescimento do PIB subiu para 2,23%, enquanto o câmbio esperado no fim de 2024 foi ajustado para R$5,70. Para 2026 o Focus projeta Selic em 12,5% e câmbio a R$5,75, com inflação de 4,50%.

O cenário atual continua pressionado por fatores externos e internos. A recente ameaça de imposição de tarifas de até 50% por parte de Donald Trump tem potencial de impactar o comércio internacional e, indiretamente, nossa política monetária. Na prática, isso pode atrasar o início do ciclo de corte de juros no Brasil, mantendo a Selic em 15% por mais tempo, talvez até abril do ano que vem. Na semana passada, o Banco Central divulgou a carta explicando o estouro da meta de inflação em 6 meses, sinalizando que o cenário ainda exige cautela.

No campo fiscal, dois temas merecem atenção imediata: a disputa sobre o IOF, que é essencial para as contas públicas — com tentativa de conciliação sendo liderada pelo STF — e a questão das tarifas anunciadas por Trump. Tarifas de 50% inviabilizam muitas exportações brasileiras: máquinas, suco de laranja, café e diversos outros produtos poderiam ficar até US$9milhões mais caros ao chegarem aos EUA, o que comprometeria nossa competitividade. Esta semana será intensa também nos EUA, com a divulgação de dados relevantes de varejo, indústria e inflação, que podem impactar as expectativas sobre juros no mundo inteiro. Vamos acompanhar.

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