A história da IBM como fornecedora do governo dos EUA remonta às suas raízes no final do século XIX e início do século XX, quando Herman Hollerith desenvolveu a máquina de tabulação com cartões perfurados para o Censo de 1890. Esse contrato com o governo foi o ponto de partida da relação duradoura entre a empresa — então chamada Tabulating Machine Company — e o setor público americano.
1. Origem com Herman Hollerith (1880s–1911)
Hollerith criou a Tabulating Machine Company em 1896, fornecendo máquinas para processar dados censitários. O sucesso no Censo de 1890, que foi concluído em tempo recorde graças ao sistema de cartões perfurados, mostrou ao governo o potencial da automação de dados. Isso estabeleceu a confiança no uso de tecnologia privada em operações estatais.
2. Formação da IBM (1911–1924)
Em 1911, a empresa de Hollerith se fundiu com outras para formar a Computing-Tabulating-Recording Company (CTR). Em 1924, sob a liderança de Thomas J. Watson, a CTR foi renomeada como IBM (International Business Machines). Durante a Primeira Guerra Mundial e o período pós-guerra, a IBM já fornecia soluções de contabilidade e tabulação para órgãos do governo e forças armadas.
3. Segunda Guerra Mundial: IBM e o esforço de guerra (1939–1945)
Durante a Segunda Guerra Mundial, a IBM se tornou uma fornecedora estratégica das Forças Armadas dos EUA, oferecendo desde equipamentos de contabilidade até máquinas de decodificação e logística militar. A empresa operava com contratos diretos com o Departamento de Guerra e com agências como o War Production Board. A IBM construiu plantas inteiras dedicadas à produção para o governo e colaborou com universidades e laboratórios nacionais.
4. Guerra Fria e expansão no setor público (1947–1990)
Durante a Guerra Fria, a IBM expandiu sua atuação no setor público. Foi contratada por agências como a NASA, o Pentágono, a NSA, o Departamento de Energia e o Censo. Por exemplo:
A IBM desenvolveu sistemas de controle para os primeiros computadores militares. Foi contratada pela NASA para desenvolver software e hardware para os programas Mercury, Gemini e Apollo. Seus mainframes foram usados em bancos de dados governamentais, inteligência e operações logísticas.
5. Era digital e contratos com defesa e inteligência (1990–2020)
Com a virada do século, a IBM passou a fornecer serviços de nuvem, inteligência artificial, cibersegurança e big data para o governo dos EUA. A empresa manteve contratos com:
Departamento de Defesa (DoD): para infraestrutura digital e IA. CIA e NSA: para soluções de análise de dados. Agência de Serviços Gerais (GSA) e outras: como fornecedora de TI em larga escala.
A IBM chegou a criar unidades especializadas para lidar com dados classificados e atender aos requisitos de segurança do governo.
6. Presente: IBM e governo em 2020–hoje
Hoje, a IBM continua atuando fortemente como fornecedora federal:
Opera em contratos de computação quântica, IA com o Watson, nuvens seguras e modernização de TI. Em 2021, a IBM ganhou contratos para fornecer infraestrutura digital segura para o Departamento de Assuntos de Veteranos (VA) e para o Pentágono. Continua presente em licitações federais e em programas relacionados à transformação digital do Estado.
IBM e os Holeriths
A palavra “Hollerith” vem do sobrenome do engenheiro e inventor Herman Hollerith (1860–1929), um dos pioneiros da computação. Ele criou, no final do século XIX, uma máquina de tabulação que usava cartões perfurados para processar dados — tecnologia que foi usada com grande sucesso no Censo dos EUA de 1890.
O “cartão Hollerith” ou “máquina Hollerith” passou a designar esse sistema de cartões perfurados, e seu nome acabou sendo associado à própria tecnologia de processamento de dados por muito tempo, especialmente no início da era da computação.
Curiosamente, a empresa fundada por Hollerith acabou se tornando parte da IBM (International Business Machines), que se tornaria a gigante da computação no século XX.


Durante a Segunda Guerra Mundial, a IBM (International Business Machines) teve uma subsidiária na Alemanha chamada Dehomag (Deutsche Hollerith-Maschinen Gesellschaft mbH), que forneceu equipamentos e soluções de tecnologia de informação para o regime nazista.
A Dehomag forneceu máquinas de tabulação Hollerith, que eram usadas para processar e analisar dados, incluindo informações sobre a população judaica e outros grupos perseguidos pelo regime nazista. Essas máquinas foram usadas para:
Censo e identificação: A Dehomag ajudou a realizar o censo de 1933 na Alemanha, que foi usado para identificar e perseguir judeus e outros grupos minoritários.
Gestão de campos de concentração: As máquinas Hollerith foram usadas para gerenciar os campos de concentração, incluindo a organização de prisioneiros, a gestão de suprimentos e a contabilidade.
Análise de dados: A Dehomag forneceu soluções de análise de dados que permitiram ao regime nazista processar e analisar grandes quantidades de informações sobre a população e os prisioneiros.
A IBM afirmou que não sabia do uso que os nazistas faziam de suas máquinas e que a Dehomag era uma subsidiária independente. No entanto, alguns historiadores argumentam que a IBM tinha conhecimento do que estava acontecendo e que sua tecnologia foi fundamental para a eficiência do regime nazista.