Saiu hoje o IGP-M de setembro, calculado pela FGV, com alta de 0,36%, acima dos 0,20% registrados em agosto, mas ainda em um patamar baixo no acumulado do ano. O índice sobe 1,27% em 2025 e 2,31% em 12 meses. Essa variação tem relação direta com a apreciação do real, que reduziu o preço de produtos comercializáveis, tanto commodities quanto manufaturados. Apesar disso, observamos algum repique recente nos preços de commodities.
O IPA, que representa cerca de 60% do índice, teve alta de 0,30% em setembro, um pouco acima da expectativa do mercado (0,33%). Esse indicador mede a variação dos preços no atacado, enquanto o IPC, que reflete o varejo, avançou 0,65%, resultado coerente com o que se espera para o IPCA de setembro, a ser divulgado na quinta-feira, com projeção em torno de 0,50%. A alta do IPCA deve refletir, sobretudo, o aumento dos custos de energia elétrica, após a reversão da bandeira tarifária, interrompendo o ciclo de deflação observado em agosto.
Já o INCC, que mede os custos da construção civil, mostrou avanço de 0,17% em setembro, frente a 0,25% em agosto, indicando moderação nos preços do setor. A alta dos materiais, equipamentos e serviços ficou em 0,17%, enquanto a mão de obra subiu 0,16%, o que representa um alívio em relação ao mês anterior.
Entre os principais vilões do IPA, destacam-se as commodities agrícolas: o café teve aumento expressivo de 14,8%, o milho subiu mais de 4% e a carne bovina avançou 1,7%. Em contrapartida, houve quedas em fertilizantes, açúcar, arroz e tomate, o que ajudou a conter a alta geral. Na decomposição do IPA, os preços agrícolas subiram 1,89%, enquanto os produtos industriais caíram 0,25% — reforçando que o setor agropecuário foi o principal responsável pela pressão inflacionária deste mês.
No conjunto, o resultado do IGP-M de setembro mostra uma inflação puxada pelas commodities agrícolas, compensada parcialmente pela estabilidade nos preços industriais e pela moderação na construção civil. A leitura antecipa, em parte, o comportamento esperado para o IPCA, especialmente no componente de alimentação, que deve contribuir para a alta do índice oficial de preços.
De modo geral, o IGP-M acumulado em 12 meses segue bem abaixo do centro da meta de inflação, refletindo um cenário mais tranquilo. Agora, a atenção do mercado se volta à ata do Federal Reserve, que será divulgada amanhã, e ao IPCA de setembro, na quinta-feira, ambos fundamentais para entender os próximos passos da política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.


