A paralisação parcial do governo americano (shutdown) continua, refletindo o impasse entre democratas e republicanos. O conflito gira principalmente em torno do financiamento para educação e saúde, áreas em que os democratas se recusam a reduzir subsídios. Já os republicanos insistem em cortes orçamentários. O impasse chegou a tal ponto que há ameaças de redução de até 10% nos voos domésticos, por falta de verbas federais, e o país já atinge um número recorde de dias de governo paralisado.
Apesar desse cenário político conturbado, o mercado segue atento a declarações de dirigentes do Fed ao longo do dia, especialmente sobre a possibilidade de mais um corte de juros em dezembro. As probabilidades apontam para uma redução de 0,25 ponto percentual, mas há quem acredite que o ciclo de cortes possa já ter chegado ao fim, encerrando o ano com juros em 4%.
No Brasil, o destaque da manhã foi a divulgação do IGP-DI de outubro, que apresentou deflação de 0,03%, após uma alta de 0,36% em setembro. No acumulado de 12 meses, o índice está positivo em 0,73%. Os principais fatores de queda no mês foram energia elétrica e passagens aéreas, enquanto o IPA agrícola recuou 0,68% e o IPA industrial subiu levemente 0,07%.
O IPA agregado, que representa cerca de 60% do IGP, teve queda de 0,13%, ajudado pelo impacto da deflação na China, que vem exportando preços baixos ao mundo. Desde 2022, o volume de produtos chineses importados pelo Brasil aumentou cerca de 80%, o que tem contribuído para conter a inflação doméstica.
As matérias-primas brutas recuaram 0,58%, enquanto o IPC (índice de preços ao consumidor) apresentou variação moderada de 0,14%, um bom sinal para o comportamento da inflação de outubro. Vale lembrar que o IPC representa 30% do IGP. Já o INCC, que mede os custos da construção civil, subiu 0,30%, indicando pressão no setor de mão de obra e insumos.
De modo geral, o cenário é positivo para a inflação, compatível com a expectativa de o IPCA encerrar o ano em torno de 4,5%. Isso reforça a probabilidade de o Banco Central iniciar um novo ciclo de cortes de juros em março de 2026.
Apesar do tom mais conservador na última comunicação do Copom, o mercado entende que a tendência de desaceleração dos preços continua sólida — o que é uma boa notícia para a economia brasileira.


