O destaque para a produção industrial de março, que apresentou alta de 1,2% em relação ao mês anterior. O resultado veio acima do esperado pelo mercado e representa uma surpresa positiva, contribuindo significativamente para o crescimento do PIB no primeiro trimestre.
Setores industriais de maior sofisticação se destacaram, como o de produtos químicos, com crescimento expressivo. Em comparação com março de 2024, o nível de produção industrial está 3,6% acima. Alguns segmentos, como bens de capital e determinados subsetores industriais, apresentaram variações positivas de 6% a 8%.
Por outro lado, houve queda na produção de bens relacionados à formação bruta de capital fixo, embora bens de consumo duráveis tenham mostrado forte recuperação — impulsionados, provavelmente, pelas vendas de automóveis e eletrodomésticos da linha branca.
Hoje também ocorre a chamada “super quarta”, com decisões de política monetária tanto do Federal Reserve quanto do Copom. O Fed deve manter os juros inalterados, com foco em sinalizar próximos passos. No Brasil, espera-se que o Copom eleve a Selic em 0,50 ponto percentual, passando de 14,25% para 14,75%, mantendo a porta aberta para eventuais ajustes adicionais.
O mercado de trabalho brasileiro segue aquecido. Dados recentes do Caged indicam aumento da formalização e redução da subcontratação em setores como mineração, o que sugere uma demanda resiliente por mão de obra. Esse dinamismo pressiona os salários, o que pode ser positivo para o consumo, desde que não haja repasse inflacionário excessivo.
No cenário externo, há avanços diplomáticos: China e Estados Unidos devem retomar negociações comerciais formais em Genebra nas próximas semanas. Além disso, o governo chinês anunciou corte nas taxas de juros e liberação de compulsórios, injetando liquidez para estimular a economia. Apesar do desemprego elevado entre jovens e da estagnação do setor imobiliário, essas medidas indicam um esforço para conter a desaceleração da atividade no país.
Esses estímulos chineses, somados à possível trégua na guerra tarifária entre EUA e China, podem beneficiar países emergentes como o Brasil, especialmente se houver uma reorientação de fluxos financeiros internacionais com o fim do “excepcionalismo americano”. A expectativa de estabilização da Selic e eventual queda nos juros no Brasil, ainda em 2025 ou no início de 2026, pode criar um ambiente melhor para crescimento econômico, estimado em até 2% neste ano.





