Indústria brasileira mostra recuperação em Agosto

Com o governo americano paralisado, não houve divulgação dos pedidos semanais de seguro-desemprego e nem teremos o payroll, de setembro, principal indicador do mercado de trabalho dos Estados Unidos e referência fundamental para a política monetária. Como alguns dirigentes do Federal Reserve já disseram, a sensação é de que estão “voando no escuro”, sem dados oficiais para guiar as decisões de juros. E, se já é difícil tomar decisões econômicas com dados, sem eles a incerteza cresce ainda mais.

No Brasil, o destaque da manhã foi a divulgação da produção industrial de agosto, que trouxe uma surpresa positiva: alta de 0,8% em relação a julho. O crescimento foi bastante disseminado, alcançando dois terços dos subsetores. Além disso, o dado de julho foi revisado de -0,2% para -0,1% reforçando a leitura de melhora recente.

No acumulado do ano até agosto, a indústria apresenta avanço de 0,9%. Porém, há contrastes importantes entre os segmentos: a produção de bens de capital registra queda de 0,1% no ano e recuo de 5% frente ao mesmo período de 2024, mostrando fragilidade nos investimentos. Já o setor de bens de consumo duráveis vem se destacando, com alta de 4,8% no acumulado do ano, enquanto os não duráveis seguem em queda.

Mesmo com a melhora na margem, o quadro de longo prazo continua frágil. A indústria brasileira opera em patamar 14,4% abaixo do pico histórico de 2011. O segmento de bens de capital, por exemplo, está quase 30% abaixo do nível máximo registrado em 2013. Ainda assim, com o desempenho positivo dos últimos meses, o setor atingiu o maior nível de produção desde 2021, segundo o IBGE.

Essa recuperação ajuda a compor o quadro do terceiro trimestre, que deve encerrar com crescimento em torno de 0,2% a 0,3% na comparação com o trimestre anterior. Não é um resultado expressivo, mas sinaliza que, apesar da desaceleração, não há recessão instalada. O PIB do período, a ser divulgado em breve, deve confirmar essa leitura.

Nos Estados Unidos, enquanto durar o shutdown, os analistas terão de recorrer a dados alternativos e secundários, vindos de fontes privadas e regionais, já que os principais indicadores oficiais estão paralisados. Isso amplia a incerteza sobre o rumo da economia americana e, consequentemente, das decisões do Fed.

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