Os dados da produção industrial de setembro mostram uma retração de 0,4% em relação a agosto, revertendo parcialmente a alta superior a 1% registrada no mês anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a indústria geral ainda apresenta crescimento de 2%, mas com uma composição preocupante: o setor extrativo segue em alta, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis caem 0,8%, e os bens de capital — centrais para o investimento e a produtividade — recuam 1,7%. Apenas os bens de consumo duráveis mostram fôlego, com avanço de 3,3%.
Essa fotografia revela um problema estrutural: a indústria brasileira ainda opera cerca de 15% abaixo do pico histórico de 2011. E o núcleo mais tecnológico da economia, o setor de bens de capital, está mais de 30% abaixo do nível máximo atingido na mesma época. Essa estagnação industrial reflete uma perda prolongada de capacidade produtiva e tecnológica, com implicações diretas para o desenvolvimento de longo prazo do país.
O quadro também se manifesta nas contas externas. O déficit em transações correntes já supera 3,5% do PIB, e, no fundo, representa o que podemos chamar de um “déficit de complexidade produtiva”. Em outras palavras, o Brasil exporta muitos bens primários, mas importa tecnologia. Temos um superávit comercial robusto — estimado em cerca de US$ 60 bilhões em 2024 — sustentado por um excedente de commodities de cerca de US$ 160 bilhões, resultado das exportações de petróleo (mais de 5 milhões de barris por dia), minério de ferro (liderado pelo complexo de Carajás e pelo projeto S11D da Vale) e grãos (com colheita de 350 milhões de toneladas).
Por outro lado, o déficit da balança industrial e tecnológica é monumental: cerca de US$ 100 bilhões em setores como máquinas, equipamentos, medicamentos e produtos químicos. Esse buraco na estrutura industrial anula parte do superávit das commodities e evidencia a fragilidade da base tecnológica brasileira.
Além disso, há o déficit de serviços, especialmente nos segmentos tecnológicos e de propriedade intelectual, que se aproxima de US$ 80 a 100 bilhões. Isso inclui as remessas de lucros e dividendos de multinacionais que operam no país, refletindo nossa dependência de tecnologia externa. O Brasil não apenas importa bens complexos, mas também paga royalties e lucros por não dominar a produção desses bens — o que pressiona o setor externo e limita o crescimento de salários e produtividade.
Em síntese, sem um desenvolvimento industrial e tecnológico consistente, o Brasil não terá sustentabilidade nas contas externas nem crescimento duradouro. A produtividade — e, portanto, o aumento de renda — nasce justamente dos setores de alta complexidade e inovação, concentrados na indústria de transformação. A queda da produção industrial, portanto, não é apenas um dado conjuntural: é um sinal estrutural de vulnerabilidade do modelo de crescimento brasileiro, ainda excessivamente apoiado em exportações primárias e pouco inovadoras.







Se não mudar a estrutura provavelmente em curto prazo mais um ajuste? Apertem os cintos a indústria, a tecnologia e a complexidade da economia brasileira sumiu (parodiando horrivelmente o filme o Apertem os Cintos… O Piloto Sumiu!), mais uma geração de talentos desperdiçada????