Celso Furtado e Raúl Prebisch, dois dos principais formuladores do pensamento econômico latino-americano do século XX, atribuíram papel central à sofisticação produtiva e à industrialização como fundamentos do desenvolvimento econômico. Em suas obras, ambos enfatizam que o subdesenvolvimento não é uma fase transitória, mas uma estrutura econômica específica que requer transformação profunda para ser superada.
No clássico Formação Econômica do Brasil (1959), Celso Furtado afirma:
“O desenvolvimento econômico é essencialmente um processo de transformação estrutural da economia, no qual o setor industrial desempenha papel de liderança. A simples expansão da produção primária não é suficiente para sustentar o progresso técnico nem para absorver os aumentos da população economicamente ativa.”
Essa ideia é aprofundada em Desenvolvimento e Subdesenvolvimento (1961), onde argumenta que “o subdesenvolvimento não é uma etapa pela qual os países hoje desenvolvidos passaram, mas uma situação específica dos países periféricos no sistema internacional. Superá-lo implica modificar a estrutura produtiva, rompendo com a dependência de produtos primários e promovendo setores industriais mais complexos.”
Raúl Prebisch, por sua vez, no Manifesto da CEPAL de 1949, defende que “os países periféricos precisam substituir importações não por simples proteção da indústria nascente, mas como forma de alterar a estrutura produtiva e internalizar o progresso técnico. O dinamismo da economia mundial não pode ser transmitido automaticamente às economias periféricas.” Em Capitalismo Periférico: Crise e Transformação (1981), ele aprofunda esse ponto: “A perpetuação da estrutura produtiva primário-exportadora bloqueia a difusão do progresso técnico. O desenvolvimento requer uma mudança estrutural profunda, com diversificação industrial e incorporação de tecnologia moderna nos processos produtivos.”
Ambos convergem na ideia de que o desenvolvimento não ocorre espontaneamente nos países da periferia. Para que ele aconteça, é necessário promover a mudança estrutural, com a diversificação da base produtiva, o fortalecimento da indústria e a capacidade de gerar e absorver progresso técnico. A superação do subdesenvolvimento, nesse sentido, exige políticas deliberadas de transformação produtiva que ampliem a complexidade econômica e rompam com a dependência histórica de exportações de bens primários.

