Os mercados estão em modo de correção, com as bolsas caindo devido aos resultados ruins das empresas de tecnologia nos Estados Unidos. A maioria dos resultados divulgados até agora foram decepcionantes, e as bolsas americanas caíram mais de 3% ontem, a maior queda em dois anos. Esse mau humor nos EUA acaba contaminando o Brasil, que só não teve desempenho pior porque as commodities ainda seguraram um pouco, com o petróleo se recuperando e empresas como Petro e Vale não tendo um desempenho tão ruim. O grande destaque no Brasil foi a divulgação do IPCA-15, que veio maior do que o esperado, registrando 0,30% contra a expectativa de 0,23%. Este é o maior IPCA-15 para o período desde 2021, indicando uma piora na inflação brasileira. O IPCA-15 já acumula 2,82% no ano, enquanto a meta de inflação é de 3% para 12 meses. Em 12 meses, a inflação acumulada é de 4,45%, muito acima da meta de 3%. Uma pequena notícia boa foi a difusão, que caiu de 56% para 51%, melhorando um pouco a quantidade de preços que aumentam. No entanto, em geral, o indicador é bastante ruim. Em junho e julho, a inflação costuma ser zero, mas estamos longe dessa situação. A gasolina subiu 1,43% e as passagens aéreas aumentaram 19%, impactando negativamente a inflação. A reunião do COPOM na próxima semana deve manter a taxa de juros em 10,5%, sem chance de redução da SELIC este ano. Com o IPCA-15 elevado, torna-se impossível imaginar um corte de juros este ano, e já se discute a possibilidade de uma alta. Esta discussão pode se intensificar no segundo semestre, especialmente se os indicadores de inflação continuarem ruins. Para piorar a situação, a primeira leitura do PIB dos EUA para o segundo trimestre foi de 2,8%, muito acima da expectativa de 2%. Esta aceleração, comparada à expansão de 1,4% no primeiro trimestre, sugere uma economia aquecida, o que pode adiar cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed). Esse crescimento forte nos EUA complica a vida do Brasil, já que um IPCA ruim e um PIB forte nos EUA pressionam a curva de juros brasileira. O dólar, que já está próximo de R$5,70 aumenta a inflação importada. Em resumo, a inflação no Brasil está alta, a moeda está desvalorizada e os juros futuros estão subindo, complicando ainda mais o cenário econômico. Embora a economia dos EUA esteja crescendo e gerando emprego, o lado negativo é a pressão inflacionária que isso traz.

