Inflação Acima do Esperado Pressiona Meta e Amplia Perspectivas de Alta na SELIC

O grande destaque da manhã foi a divulgação do IPCA-15, que mede a inflação de 15 de setembro a 15 de outubro, e veio acima do esperado, em 0,54%, enquanto o esperado era 0,51%. O indicador anterior foi de 0,13% no mês passado. Em 12 meses, acumula 4,47%, portanto, já muito próximo do teto da meta, que é 4,50%. Vale lembrar que a meta é 3%, e o teto da meta é 4,50%. O destaque de alta fica com itens que já eram esperados, como alimentação, que tem subido significativamente devido à seca. O preço da carne registrou uma alta impressionante. A alimentação em domicílio subiu 0,95%, enquanto fora de casa aumentou 0,66%. O segundo grande fator de pressão inflacionária foi a energia elétrica, que teve um aumento expressivo de 55,29% na energia elétrica residencial. Isso ocorre em função da seca, com a adoção da bandeira vermelha, o que está elevando as contas de luz. O terceiro fator de pressão é o setor de serviços, influenciado por um mercado de trabalho aquecido. Os serviços subjacentes, que são os serviços estruturais, subiram de 0% no mês passado para 0,59% agora, enquanto os serviços gerais subiram de 0,17% para 0,20%. No conjunto, os preços administrados subiram 0,91%, fortemente influenciados pelas tarifas. Em resumo, o que está acelerando a inflação agora são: alimentos, devido à seca, caracterizando um choque de oferta; energia, também influenciada pela seca, outro choque de oferta; e serviços, que refletem um mercado de trabalho pressionado, um choque de demanda. Tudo isso coloca a inflação muito próxima do teto da meta este ano, com grandes chances de ultrapassá-lo. A expectativa é que novembro e dezembro também apresentem inflação elevada. Além disso, o prêmio de risco continua elevado, com o mercado enxergando um cenário fiscal deteriorado. A média dos juros longos no Brasil está em 13% para os próximos cinco anos, o que é bastante elevado. A curva de juros futuros está em 13,5%, o que considero exagerado, pois acredito que não deva ultrapassar 12%. No entanto, o mercado exige esse prêmio alto para financiar o governo. O IPCA-15 de hoje não contribui para melhorar esse cenário. A difusão aumentou de 55% para 58%, mostrando que mais preços estão subindo, e a alta dos núcleos da inflação subiu de 0,17% para 0,43%. Com isso, a alta de 0,50 ponto percentual na SELIC na reunião do COPOM em 6 de novembro já parece praticamente certa. O Focus projeta mais dois aumentos de 0,25 pontos até o final deste ano, e, com a inflação pressionada, a chance de ultrapassar o teto da meta é quase total. O Banco Central está mirando o primeiro trimestre de 2026, mas as expectativas de inflação para esse período também estão desancoradas, com o mercado prevendo 3,6% de inflação para daqui a seis trimestres. A economia está desacelerando, com perspectivas de crescimento menor no próximo ano, possivelmente em torno de 2% a 2,5%, devido ao ciclo de alta de juros e ao ajuste fiscal esperado. A ociosidade está menor, mas a inflação está mais pressionada, o que justifica a reação do Banco Central dentro do regime de metas de inflação. A alta de 0,50 ponto percentual na próxima reunião do COPOM em 6 de novembro já está praticamente contratada.

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