O dado de inflação que acabou de sair nos Estados Unidos trouxe uma grande surpresa para baixo. O CPI caiu 0,4% em junho, na comparação mensal, com a taxa anual desacelerando para 3,5% — bem abaixo do que o mercado esperava, que era uma queda de cerca de 0,1% a 0,2% e uma inflação anual ao redor de 3,8%. Foi a maior queda mensal do índice cheio desde abril de 2020 , ou seja, desde o período da Covid.
O núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia, também veio mais fraco: ficou estável no mês, contra uma alta esperada de 0,2%, levando a taxa em 12 meses a 2,6% — abaixo dos 2,9% projetados. A abertura do índice mostra que o movimento foi bastante generalizado, alcançando bens, serviços e também os custos residenciais, como aluguéis e locação.
Houve queda de preços em automóveis e em vestuário, além, obviamente, do alívio na energia. Os preços de vestuário recuaram 0,6% e os carros usados caíram 0,2% , enquanto o petróleo derreteu ao longo do mês passado, com o galão da gasolina caindo abaixo de três dólares. Foi, sem dúvida, um grande mês de alívio.
Isso muda o cenário. Tínhamos comentários recentes de Chris Waller sinalizando que o Fed poderia eventualmente ainda precisar subir juros nas próximas reuniões, e um dado como este reembaralha a discussão sobre a trajetória de juros. É uma excelente notícia para Kevin Warsh, o novo presidente do Fed, que assumiu o comando do banco central em maio.
Mas, como sempre, olhamos pelo retrovisor. Estamos falando de junho, e o petróleo já escalou tudo de novo, subindo cerca de 10% e voltando à casa dos US$ 85 com a reativação do conflito no Oriente Médio. Trump agora afirma que outros países terão de pagar uma espécie de “pedágio” aos Estados Unidos pela segurança no Estreito de Ormuz. Ou seja, o resultado que sai agora é uma fotografia do passado: não captura o que está acontecendo em julho com a escalada entre Estados Unidos e Irã. Traz uma boa notícia sobre o mês passado, mas embaralha ainda mais o que deve acontecer na próxima reunião do Fed.
O fato é que os mercados estão reagindo com forte recuo nos juros longos, com os rendimentos dos Treasuries em queda acentuada após o relatório — e no Brasil a curva de juros também cede bem, na esteira dessa deflação americana. É muita incerteza, e muito difícil prever: de repente vem um índice completamente para baixo, com uma perspectiva bem melhor do que se imaginava. Fica aqui o registro do que é, sem dúvida, a grande novidade do dia, já mexendo bastante com os mercados.


