O grande destaque de hoje é a divulgação do IPCA-15, que registrou alta de 0,43% em abril, uma desaceleração em relação a março, quando o índice havia subido 0,56%. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula agora alta de 3,77%, abaixo dos 4,14% de março.
O principal vetor de pressão inflacionária foi o grupo Alimentação e Bebidas, que respondeu por mais de 60% da variação do índice no mês. Os preços dos alimentos subiram 0,61%, puxados por aumentos expressivos no tomate (17,87%), cebola (15,63%) e leite longa vida (3,74%). Esses itens, porém, têm dinâmica própria e foram impactados por fatores como clima adverso e problemas pontuais no campo, como a escassez de pastagens para o gado, o que elevou o preço da arroba bovina.
No lado positivo, o grupo Transportes apresentou deflação de 0,49%, influenciado pela queda nas passagens aéreas (-12,20%) e nos combustíveis (-0,24%), com destaque para o etanol (-1,68%). Já o grupo Serviços, que costuma refletir mais diretamente a demanda interna e é monitorado pelo Banco Central por sua inércia inflacionária, trouxe boas notícias. Os serviços subjacentes desaceleraram de 0,67% para 0,55%, enquanto os serviços gerais caíram de 0,65% para 0,18%.
Essa desaceleração dos serviços, somada à valorização recente do real — que chegou a R$ 5,70 — tem contribuído para um processo de desinflação, mesmo com os alimentos ainda pressionados. Além disso, a atividade econômica mostra sinais de desaceleração, atingindo um patamar de estabilidade após o forte ritmo observado em 2023. Não há hoje uma pressão significativa de demanda.
Esses dados, somados aos comentários recentes de diretores do Banco Central durante as reuniões em Washington, reforçam a percepção de que estamos próximos do fim do ciclo de alta da Selic. O mercado está dividido entre uma última alta de 0,25 p.p. ou 0,50 p.p. na reunião de maio, o que levaria a taxa para 14,75% ou 15,00% ao ano. Esse já é um patamar extremamente elevado, e manter a Selic nesses níveis por muito tempo gera um custo altíssimo para empresas e famílias.
Vale lembrar que, apesar da Selic elevada, o Brasil deve crescer cerca de 2% em 2025, sustentado por transferências de renda, recuperação do crédito e, principalmente, por um avanço robusto do agronegócio, com expectativa de crescimento próximo a 10% no setor neste ano.
Em resumo, o IPCA-15 de abril trouxe sinais de alívio inflacionário, as expectativas de inflação começaram a se estabilizar e o mercado financeiro reagiu positivamente: a Bovespa voltou a se aproximar dos 134 mil pontos, o câmbio recuou abaixo de R$ 5,70 e os juros futuros iniciaram uma trajetória de queda, já abaixo dos 14% nas pontas mais longas. São boas notícias — ainda que não espetaculares — para a economia brasileira. Estamos, ao que tudo indica, próximos do fim do aperto monetário.




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