Inflação de alimentos em queda no Brasil

O IPCA-15 de setembro, que mede a inflação de 15 de agosto a 15 de setembro, foi divulgado e mostrou aceleração para 0,48%, após deflação no mês anterior. O principal destaque foi a forte alta da energia elétrica, que subiu 12,17%, refletindo a devolução do crédito das usinas de Itaipu — que havia reduzido a conta de luz em agosto. Apesar da alta mensal, o índice acumula 5,32% em 12 meses, levemente abaixo da mediana das expectativas de mercado (5,35%).

Do lado positivo, a alimentação no domicílio caiu 0,63%, registrando a quarta queda consecutiva. Itens importantes tiveram recuos expressivos: tomate (-17,5%), cebola (-8,6%) e arroz (-3%). Essa queda está ligada, em parte, à valorização do câmbio, que passou de R$ 6,30 para R$ 5,30 nos últimos meses, aliviando os preços de alimentos. Já a alimentação fora de casa desacelerou de 0,71% para 0,36%.

Os serviços, tradicionalmente mais sensíveis ao mercado de trabalho, também trouxeram boas notícias: a alta passou de 0,50% em agosto para cerca de 0,04% em setembro. Isso indica um arrefecimento das pressões de demanda, mesmo com o mercado de trabalho ainda apertado.

Outro ponto relevante foi o comportamento dos núcleos de inflação (que excluem itens muito voláteis como energia e alimentos). A média dos núcleos subiu 0,19%, contra 0,31% no mês anterior — uma desaceleração importante. A difusão (percentual de itens com alta de preços) caiu de 57% para 53%, reforçando a leitura de menor espalhamento da inflação.

Em resumo, embora o índice cheio tenha acelerado por causa da energia elétrica, a composição da inflação veio bem mais favorável: queda dos alimentos, desaceleração dos núcleos e melhora na difusão. Isso é positivo para a política monetária, pois sugere que a inflação subjacente está convergindo de forma consistente.

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