Inflação do IPCA-15 abaixo do esperado no Brasil

O destaque da semana foi o evento em que Campos Neto falou, durante o almoço da Lide Empresarial. Achei o discurso bastante sereno, enfatizando a importância da última milha no combate à inflação. No Brasil, a inflação acumulada em 12 meses está em 3,7%. Basicamente, a inflação está controlada, mas ainda falta a última milha, como disse Campos Neto: para ganhar a corrida, é preciso correr a última milha. Esse é o trecho que falta. O cenário complicou um pouco com a questão fiscal americana, o aumento dos juros longos nos EUA e a desancoragem das expectativas no Brasil, com a expectativa de IPCA subindo para 3,7% ou 3,8% este ano e no próximo. Porém, acredito que estamos próximos de atingir a meta nos próximos anos. Seu discurso foi nesse sentido, destacando que o voto na última reunião foi bastante técnico, tanto dos diretores que votaram por 0,25 quanto dos que votaram pelo corte de 0,50. O diretor de política monetária do BC, Gabriel Galípolo, também falou ontem à noite em um evento; o discurso foi alinhado com o de Campos Neto, destacando a preocupação com a desancoragem das expectativas, que é ruim quando a expectativa de inflação está em alta. Falta a última milha para o Banco Central atingir a meta de 3%. Estamos perto, mas ainda não chegamos lá. É possível que haja uma votação unânime na próxima reunião do COPOM em junho. Está claro que o ciclo está chegando ao final. Se a SELIC não parar agora em 10,5%, talvez pare em 10,25% ou 10%. Estamos chegando ao final deste ciclo até que a inflação dê sinais mais fortes de convergência para os 3%. O último IPCA-15 divulgado veio um pouco abaixo do esperado, com 0,44%, enquanto o esperado era 0,47%. Alguns dados foram piores: os núcleos subiram de uma média de 0,19% para 0,31%. Serviços subjacentes melhoraram um pouco, de 0,38% para 0,31%, mas outros serviços pioraram, de 0,05% para 0,34%. A difusão também piorou: 54% dos itens aumentaram no mês passado e agora, de 15 de abril a 15 de maio, 55% dos itens aumentaram. Dos nove grupos, oito tiveram alta, com destaque para passagens aéreas e combustíveis. Apesar de ter vindo abaixo do esperado, o interior do indicador não é tão positivo. Acumulamos uma inflação de 3,7% em 12 meses. Saiu também o IPP, que mede o preço ao produtor do IBGE, mostrando uma alta de 0,74% em abril em relação a 0,35% da última leitura, indicando piora, especialmente nos preços industriais. O INCC também mostra alta nos preços da construção civil e os IGPs também estão pressionados. A tarefa do Banco Central Brasileiro de atingir a última milha não está fácil. A inflação está controlada, mas ainda não chegou aos 3%, então há um desafio pela frente. O IPCA-15 de hoje ressalta isso, caminhando para fechar o ano com IPCA de 3,7% a 3,8%.

 

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