Inflação do IPCA-15 marcou 0,20% em Janeiro

O principal destaque foi a divulgação do IPCA-15, que veio em 0,20% — 0,05 p.p. abaixo do esperado pelo mercado (algo entre 0,24% e 0,25%) e também abaixo do resultado de dezembro (0,25%). É uma boa notícia: a inflação segue dando sinais de que está sob controle. No acumulado em 12 meses, o índice está em 4,50%, exatamente no teto da banda da meta.

Nos detalhes, houve alguma piora em alimentos, o que é relativamente comum nesta época do ano, por conta da sazonalidade de janeiro, fevereiro e março. Entre as altas, destaque para tomate (+16%), batata inglesa (+12%), frutas (+1,6%) e carnes (+1,3%). Por outro lado, tivemos quedas importantes em itens como leite, arroz e café. No geral, apesar dessa pressão pontual em alimentos, o conjunto do indicador foi positivo: núcleos vieram comportados e serviços também mostraram sinais de arrefecimento.

Outro ponto importante: ontem a Petrobras reduziu o preço da gasolina em cerca de 5%. A conta que tem circulado — e faz sentido — é que isso pode reduzir o IPCA em até 0,25 p.p. ao longo do ano, dependendo do repasse. Com isso, a gasolina está em torno de R$ 2,57 (preço médio nas refinarias), praticamente no menor nível desde 2023. O diesel, por sua vez, está por volta de R$ 3,27, também perto das mínimas desde 2023. Como gasolina e diesel têm impacto muito grande sobre custos e preços na economia, é mais um sinal favorável no front inflacionário.

Na política monetária, o Copom começa hoje e termina amanhã. A grande maioria do mercado — e eu me incluo aqui — ainda acredita que não haverá corte agora, com a Selic em 15%. Mas existe uma “janelinha” aberta: um corte pequeno de 0,25 p.p. não seria um choque absoluto, embora não seja o cenário mais provável. O mais provável, na minha avaliação, é o início de um ciclo de afrouxamento a partir de março, com um corte de 0,50 p.p..

O ambiente financeiro ajuda: o câmbio se apreciou, com o real se aproximando de R$ 5,25, o que alivia os preços tradables e aumenta a probabilidade de corte. Além disso, vimos um rali do Ibovespa, com alta de mais de 10% no mês, em meio à perda de força do dólar no exterior. Em resumo: o cenário para começar a reduzir juros está cada vez mais bem montado — e isso pode ser uma das melhores notícias para o Brasil em 2026.

O Relatório Focus de Mercado segue apontando Selic perto de 12,5%–12,25% no fim do ano. Ainda seria um juro muito alto. Pelas contas do próprio Banco Central (no Relatório de Política Monetária do fim de dezembro), o juro neutro real está perto de 5%. Com uma meta de inflação de 3%, isso implicaria algo como 8% de juro nominal neutro. Ou seja: mesmo caindo para 12%, ainda estaríamos cerca de 4 p.p. acima do juro nominal neutro — o que sugere que há, sim, espaço para cortes ao longo dos próximos meses.

Por fim, saiu também o dado fechado de contas externas: o déficit em conta corrente está estimado em 3,02% do PIB (ainda falta o PIB fechado). Por outro lado, o IDP/IED (Investimento Direto no País) veio em 3,41% do PIB, acima do déficit, ou seja, por enquanto o déficit está financiado por investimento direto — com uma diferença de cerca de 0,4 p.p. positiva. É um ponto de atenção: investimento direto é de longo prazo e, nesse sentido, é melhor do que financiamento de curto prazo, mas ainda assim representa compromissos futuros (lucros, remessas, retorno do capital). Vale monitorar, especialmente porque o pior déficit em conta corrente dos últimos 10 anos foi em 2014 (4,5% do PIB), período que antecedeu uma crise forte e desvalorização cambial.

Em suma: começamos o ano com IPCA-15 benigno, combustíveis em queda, câmbio melhor, e uma perspectiva concreta de início de cortes na Selic nos próximos meses — o que pode ajudar bastante o desempenho da economia em 2026.

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