Inflação do IPCA-15 mostra núcleos e difusão em queda

Nesta manhã o destaque é a divulgação da ata do COPOM da semana passada, onde começa a surgir um debate sobre o que fazer na reunião de junho. Na reunião de maio já é praticamente certo que haverá um corte de meio ponto percentual, levando a SELIC para 10,25%, a menos que ocorram mudanças drásticas. A grande incerteza agora é o que acontecerá em junho. A ata menciona que alguns diretores consideram uma desaceleração no ritmo de cortes como possível, em um cenário de maior incerteza, sugerindo que alguns podem votar por reduzir a SELIC para 10%, em vez de 9,75%. Por outro lado, outros diretores parecem acreditar que o ritmo atual de cortes é apropriado. Esse parece ser o debate que será travado na reunião de maio. A ata também enfatiza que o cenário base não mudou, mas que há uma incerteza associada ao cenário. As expectativas de inflação permanecem desancoradas, conforme indicado no Focus divulgado hoje cedo, com previsões de IPCA de 3,75% para este ano e 3,6% para o próximo. O COPOM reforça a desaceleração da atividade econômica, mas destaca preocupações com a inflação de serviços. No cenário internacional, o preço das commodities atingiu o pico da pandemia, refletindo a robustez da situação externa do Brasil. Isso contribui para um superávit na balança comercial, que pode chegar a 90 bilhões de dólares este ano. O dólar permanece abaixo de cinco reais, com expectativas de uma apreciação adicional.

Também foi divulgado hoje o IPCA-15, que ficou em 0,36%, um pouco acima do esperado de 0,33%. Embora ligeiramente mais alto, a abertura do índice traz algumas notícias positivas. Os núcleos do IPCA-15 mostraram uma queda significativa, com a média caindo de 0,57% para 0,23%. Vale ressaltar que os núcleos excluem as variações mais extremas, proporcionando uma visão mais estável da inflação. Além disso, a difusão do índice caiu de 60% para 54%, indicando menos pressão de preços em alta. Esses números são encorajadores, especialmente para os serviços subjacentes, que são menos voláteis e desaceleraram de 0,55% no último IPCA-15 para 0,4% neste. Mesmo o segmento de serviços cheios registrou uma redução, passando de 1,03% para 0,07%. Embora essa queda possa ter sido influenciada por fatores sazonais, é importante observar o comportamento do componente estrutural, que revela como o mercado de trabalho aquecido está afetando a inflação. No cenário internacional, os EUA divulgarão dados importantes esta semana, incluindo pedidos de bens duráveis e o índice de confiança do consumidor do Conference Board. No entanto, o destaque será o PCE na sexta-feira, que é amplamente monitorado pelo Fed. O mercado está atento aos comentários dos diretores do Fed, especialmente depois que Raphael Bostic, conhecido por suas opiniões mais firmes, sugeriu um único corte de juros este ano, em vez dos três inicialmente previstos. Isso causou um certo estresse nos mercados, refletido na leve desaceleração das bolsas de valores nos EUA. Por fim, vale mencionar que o minério de ferro caiu mais de 4% devido às preocupações com a China e o mercado imobiliário chinês.

Deixe uma resposta