Inflação do IPCA acima do esperado

O IPCA fechado de maio registrou uma alta de 0,46%, acima do esperado, que era 0,40%, chegando ao teto das expectativas. O IPCA elevado preocupa; não se trata de uma inflação fora de controle ou um desespero, mas é uma inflação que dificilmente atingirá a meta de 3%, ousada e difícil de se alcançar. Para se ter uma ideia, no ano, a inflação já acumula 2,27% medida pelo IPCA. Os meses de janeiro e especialmente fevereiro foram muito ruins. No acumulado de 12 meses, a inflação do IPCA está em 3,93%, bem acima da meta de 3%. Já começam a aparecer os efeitos dos preços da tragédia no Rio Grande do Sul, com a coleta de Porto Alegre mostrando preços de alimentos  elevados, com destaque para o arroz e outros itens. O grupo de alimentação e bebidas no índice geral teve uma alta de 0,62%. Dos nove grupos, oito tiveram alta, um comportamento complicado. Os serviços também aceleraram, passando de 0,05% em abril para 0,40% em maio. Os serviços subjacentes, que são aqueles mais estruturais, também subiram de 0,33% para 0,41%, indicando um possível efeito do mercado de trabalho e de uma economia mais aquecida. Um câmbio mais desvalorizado atrapalha muito a vida do Banco Central. Um câmbio de R$5,35 é obviamente muito mais inflacionário do que um câmbio de R$4,80 ou R$4,90. Já vemos isso nos IGPs, que voltaram para a inflação, saindo de deflação, e no ICBR, que mede o preço de commodities em reais. Com a desvalorização cambial, todos os bens transacionáveis ficam mais caros em reais. A atividade econômica mais aquecida e PIB forte do primeiro trimestre, com a perspectiva de crescer pelo menos 2% neste ano, podendo chegar a 2,5%, também dificulta a vida do Banco Central. Uma boa notícia é que o índice de difusão se manteve estável em relação a abril, em 57%. No entanto, a média dos núcleos de inflação também subiu de 0,27% para 0,39%. Esses núcleos excluem as maiores altas e quedas. O IBGE calcula e divulga essas médias utilizando várias metodologias, mas em todas elas os núcleos subiram, indicando que a inflação está acelerando no Brasil. Isso torna o quadro de inflação deste ano mais desafiador. O Focus já projeta o IPCA em 3,9% em 2024, e eu começo a acreditar que esse índice pode chegar a 4% neste ano. Até março e abril, a inflação corrente estava melhor do que o esperado, mas as expectativas estavam desancorando. Agora, temos tanto a inflação corrente piorando quanto as expectativas desancoradas, tornando o cenário mais desafiador para o Banco Central. Nesse contexto, na decisão da próxima semana sobre a taxa de juros, parece improvável que o BC vá cortar a SELIC, que deve ser mantida em 10,50%.

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