O destaque desta terça-feira, 25 de fevereiro, foi a divulgação do IPCA-15 pelo IBGE, medindo a inflação de 15 de janeiro a 15 de fevereiro. O índice subiu 1,23%, um pouco melhor do que o esperado, que variava entre 1,35% e 1,4%. Em janeiro, o número foi excepcionalmente baixo, apenas 0,11%, devido à devolução dos créditos da usina de Itaipu e à queda no preço da energia elétrica.
A inflação voltou a se normalizar, como ocorre tradicionalmente nos primeiros meses do ano. Janeiro, fevereiro e março costumam registrar alta devido ao aumento dos preços dos alimentos, e não foi diferente em 2025. Os preços de alimentos subiram de forma expressiva, com destaque para a cenoura (+17%) e o café moído (+11,6%). No acumulado do ano, o IPCA-15 já avançou 1,34%, e mesmo após a leitura baixa de janeiro, a inflação em 12 meses está em 4,96%, bem acima da meta de 3%.
O grupo de alimentação e bebidas subiu 0,61%, e a maioria dos grupos registrou alta – sete dos nove segmentos tiveram aumento. Transportes também pressionaram o índice devido à alta dos combustíveis. A energia elétrica, que havia registrado queda em janeiro, voltou a subir mais de 16%, impactando significativamente a inflação.
Uma notícia positiva foi a desaceleração da inflação de serviços, um fator que preocupa bastante o Banco Central. O índice caiu de 0,85% para 0,68%, ficando abaixo das expectativas mais pessimistas. Os serviços subjacentes, que refletem preços mais estruturais, também desaceleraram de 0,96% para 0,63%. Apesar da melhora, a inflação de serviços ainda é elevada.
Os núcleos da inflação, que excluem os itens mais voláteis, também desaceleraram de 0,66% para 0,61%, o que foi um alívio. No geral, o IPCA-15 ainda está pressionado, mas veio levemente melhor do que o esperado. Ainda assim, a inflação segue distante da meta, e a expectativa para o ano continua próxima de 5,5%. Isso indica que o Banco Central enfrentará desafios para manter o controle da inflação.
Outra notícia importante foi o PIB da Alemanha, que registrou queda de 0,1%, confirmando o cenário de estagnação econômica no país. A produção industrial alemã acumula queda de 20% desde o pico, um número significativo. Embora o setor de serviços tenha peso relevante na economia alemã, ele está fortemente ligado à indústria, o que mantém a economia estagnada.
Nos mercados, o clima está mais tenso nesta manhã, com o dólar atingindo R$ 5,80. O presidente Lula fez um pronunciamento ontem reforçando programas sociais como o Pé-de-Meia e outras iniciativas de transferência de renda, aumentando temores sobre o impacto fiscal. No entanto, a principal pressão sobre os gastos vem dos governos estaduais e municipais, que estão expandindo despesas de forma muito mais acelerada que o governo federal. Dados do economista Graciliano Borges mostram que os gastos regionais e municipais cresceram de forma expressiva, enquanto o governo central tem conseguido conter despesas.


