Inflação em queda no Brasil

O IPCA de julho registrou alta de 0,26%, abaixo das previsões do mercado. O destaque de alta veio do setor de serviços, que avançou 0,59%, um pouco acima dos 0,40% de junho. O principal vilão foi a energia elétrica, que subiu 0,39% devido à bandeira tarifária vermelha. Sem esse impacto, a inflação mensal teria ficado próxima de zero e, em agosto, poderia até registrar nova estabilidade.

No lado positivo, houve queda de preços de alimentos e desaceleração no vestuário, contribuindo para um cenário benigno. Passagens aéreas, no entanto, subiram 19,9%. A difusão do índice recuou para 49%, contra 53% no mês anterior, sinalizando que menos itens registraram alta. Esse é o terceiro mês consecutivo de boas notícias para o IPCA, reforçando a expectativa de inflação acumulada no ano abaixo de 5%.

Apesar desse quadro, ainda não há perspectiva de corte de juros no Brasil em 2025 com possibilidade apenas para o próximo ano. O câmbio segue favorável, com o real se fortalecendo, e a curva de juros futuros registrou fechamento nos últimos dias.

Estados Unidos – CPI de julho

Nos EUA, a inflação ao consumidor subiu 0,2% no mês, em linha com o esperado. No acumulado em 12 meses, o índice cheio está em 2,7%, enquanto o núcleo (core) subiu 0,3% no mês e acumula 3,1% no ano. O avanço dos serviços foi influenciado principalmente por saúde, e não pelo setor imobiliário.

O resultado reforça as expectativas de corte de juros pelo Federal Reserve já em setembro, possivelmente iniciando um ciclo com dois ou até três cortes, o que poderia levar a taxa básica americana para 3,75%. Isso aumentaria ainda mais o diferencial de juros em relação ao Brasil, hoje com Selic em 15%, favorecendo a valorização do real para a faixa de R$ 5,20–R$ 5,30.

Cenário geral

O quadro internacional e doméstico é benigno:

Inflação controlada no Brasil, mesmo com choques tarifários. Expectativa de cortes de juros nos EUA, ampliando o diferencial de juros. Câmbio favorável e perspectiva de queda dos juros longos no Brasil para abaixo de 13%.

O impacto das tarifas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros ainda não se reflete de forma relevante nos indicadores macroeconômicos, embora afete duramente setores específicos, sobretudo os que enfrentam tarifas próximas de 50% para exportar.

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