Inflação em queda no Brasil

O principal destaque da manhã foi a divulgação do IPCA de maio, que apresentou uma alta de 0,26%, uma desaceleração relevante frente ao 0,43% registrado em abril. O número veio no piso das estimativas — que variavam entre 0,26% e 0,43% —, sinalizando uma moderação importante da inflação. A taxa de difusão caiu de 67% para 60%, outro dado positivo. Entre os destaques, os preços dos alimentos para consumo no domicílio seguem em queda, contribuindo para o arrefecimento geral. O setor de serviços também mostrou algum recuo: a variação mensal foi de 0,18%, ante 0,20% em abril, e no acumulado em 12 meses, os serviços ficaram abaixo de 6%. Ainda há pressão em alguns itens, como café e outros alimentos, mas o cenário geral mostra acomodação nos preços. A valorização recente do real, com o câmbio se aproximando de R$5,60, tem contribuído para conter os preços dos bens transacionáveis — tanto os importados quanto os exportados —, barateando os produtos em reais. Se o câmbio continuar recuando para a faixa de R$5,50 ou menos, o alívio inflacionário poderá ser ainda maior.

Além disso, foi divulgada a primeira prévia do IGP-M de junho, com deflação de 0,74%, após alta de 0,18% em maio. O IPA caiu 1,19% e o IPC-M desacelerou para 0,13%, ante 0,42% no mês anterior. A única alta expressiva veio do INCC, com 0,92%, frente aos 0,38% anteriores, refletindo reajustes no setor de construção. A tendência benigna dos preços ao consumidor nessa prévia é mais um sinal positivo.

Com esses dados, aumenta a possibilidade de o IPCA fechar 2024 abaixo de 5,5%, com algumas casas já projetando inflação em torno de 5,3% ou até 5%. Os primeiros meses do ano foram pressionados, em parte pelo câmbio que chegou a R$6,30, mas o cenário agora é mais favorável. A taxa Selic em 13,75% tem desempenhado seu papel: segurando o câmbio via diferencial de juros e contribuindo para a desaceleração da inflação.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne novamente. Ainda há dúvida se o ciclo de alta de juros terminou nos atuais 14,75% ou se haverá mais uma elevação para 15%. O BC vinha sinalizando estabilidade, mas recentemente deixou a porta aberta para um ajuste adicional. De toda forma, o mais provável é que estejamos próximos do fim do ciclo, com manutenção dos juros altos até o fim do ano para garantir a convergência da inflação. Por ora, o IPCA de maio é uma boa notícia e os juros futuros estão reagindo positivamente, com queda nas taxas.

 

 

1 thought on “Inflação em queda no Brasil”

  1. Bom dia ! Esta alta taxa de juros mantém a inflação sob controle, como uma alta dose de Tylenol contém uma febre alta, mas não elimina a doença e no médio prazo a infecção toma conta, ou seja, mais juros serão necessários para manter a inflação sob controle, mas a doença se agrava com o tempo. Terminando com as metáforas, há ainda outro fator que é o câmbio contido pelas mesmas taxas de juros, que são causados por entrada de capital externo especulativo de curto prazo, que só vem aqui, prá sugar um pouco mais da dívida mantida pelo povo brasileiro. O dólar deveria estar sendo controlado por exportações robustas, como ocorre nos países civilizados. Do jeito que está, o Brasil apenas subsidia a importação, principalmente de produtos chineses, tal como os automóveis elétricos, que gozam de estímulos de impostos e prejudicam ainda mais a já decadente indústria automotiva brasileira.

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