O Boletim Focus, divulgado agora pela manhã, mostrou uma leve queda nas projeções — praticamente desprezível, mas ainda assim positiva. A estimativa de inflação para 2025 caiu de 4,81% na semana passada para 4,80% agora. Para 2026 segue em 4,28%. Já para 2027, horizonte mais relevante para a política monetária do Banco Central, a expectativa está em 3,90%.
Em relação ao crescimento econômico, as projeções permanecem em 2,16% para este ano e 1,80% para 2025. No campo dos juros, as estimativas indicam taxa Selic encerrando 2025 em 15% e chegando a 10,5% em 2027 — trajetória que reflete desaceleração gradual da economia e acomodação da inflação.
Os destaques da semana ficam por conta da divulgação do IPCA de setembro, na quinta-feira, e da ata do Federal Reserve (Fed), que sai na quarta-feira. A ata deve revelar divisões entre os dirigentes do banco central americano: parte mais inclinada a novos cortes de juros, outra mais cautelosa. O debate atual é se haverá mais um ou dois cortes ainda este ano — um em outubro e outro em dezembro — ou apenas um, possivelmente no fim do ano.
Enquanto isso, o Congresso americano continua discutindo o orçamento federal. Há sinais de que republicanos e democratas podem chegar a um acordo em torno da renovação parcial do ObamaCare, programa que subsidia planos de saúde para famílias de baixa renda. Esse subsídio reduz o custo mensal dos planos, que normalmente variam de US$800 a US$1.000, para algo em torno de US$200 a US$300. Criado entre 2010 e 2011, o programa custa cerca de US$150 bilhões anuais ao governo.
O impasse político gira em torno da continuidade desses subsídios e do acesso de imigrantes ilegais ao programa. Nos últimos dias, porém, surgiram sinais de que os republicanos estariam dispostos a aceitar uma solução intermediária — mantendo o benefício para quem já participa e restringindo novos acessos. Caso se confirme, isso pode destravar as negociações sobre o teto da dívida americana, principal tema econômico da semana.
Vale lembrar que os EUA seguem sem a divulgação de vários indicadores importantes, por conta do impasse orçamentário, o que deixa analistas e autoridades “voando às cegas”. Assim, o mercado deve acompanhar com atenção tanto a ata do Fed quanto o IPCA no Brasil, além dos desdobramentos políticos em Washington.


