Chegaram as tarifas dos EUA: De maneira geral, cerca de metade dos produtos brasileiros exportados para os EUA, que somam aproximadamente US$ 40 bilhões ao ano, está atualmente sujeita a algum tipo de tarifa. A outra metade permanece isenta. Entre os setores mais afetados no momento estão café, carnes e pescados, que sofreram com tarifas adicionais. Essa barreira comercial, por outro lado, tem provocado uma leve deflação desses produtos no mercado brasileiro.
Há, no entanto, uma perspectiva de redução de tarifas em alguns segmentos, especialmente no setor de carnes, dado o aumento generalizado dos preços de carne em dólar, tanto globalmente quanto nos EUA. Isso afeta diretamente o consumidor americano e pode pressionar por alívio tarifário.
Um ponto positivo nas negociações comerciais foi o caso da Embraer. Aproximadamente 75% das vendas da empresa têm como destino os EUA. A Embraer possui uma fábrica de jatos executivos próxima a Orlando e cinco bases de manutenção no país. Em 2024 vendeu quase 100 aeronaves para a United Airlines, com forte desempenho também em 2025. A empresa conquistou isenção temporária de uma tarifa de apenas 10%, resultado de sua relevância e da alta demanda por jatos regionais no mercado americano. Ou seja, mais do que uma boa negociação, há um interesse estratégico das companhias aéreas dos EUA pelos produtos da Embraer — em um cenário em que há fila de espera de até cinco anos para entrega de aeronaves.
Outros produtos, como suco de laranja, também conseguiram evitar tarifas extras, mas no geral o Brasil ainda sofre impactos negativos em metade de sua pauta exportadora. Seguimos monitorando possíveis novidades nesse campo nos próximos dias.
Indicadores econômicos
Do lado dos indicadores, destaque para os dados divulgados ontem. Nos EUA, os números vieram levemente acima do esperado, enquanto no Brasil os sinais foram mais preocupantes. O índice de atividade de serviços, medido pela S&P Global, caiu para o pior nível desde 2021, sinalizando possível retração no setor — o índice ficou abaixo de 50, o que caracteriza zona de contração.
Por outro lado, os dados de inflação futura, captados pela chamada inflação implícita melhoraram significativamente. A expectativa de inflação para 2026, medida pelos preços de mercado, caiu para 4,12%, abaixo da projeção do Boletim Focus (que é de 4,30%).
Como se calcula a inflação implícita?
A inflação implícita é calculada a partir da diferença entre os juros pagos por um título prefixado (como a LTN) e os juros pagos por um título indexado à inflação (como a NTN-B). Por exemplo: se um título prefixado de 1 ano paga 12% e um título atrelado à inflação paga 8% de juro real, a diferença entre eles (12% – 8%) reflete a expectativa de inflação de 4% para aquele período.
Esse cálculo é relevante porque não depende de questionários ou projeções subjetivas — ele reflete a decisão real de mercado: alguém comprou esse título a determinado preço, assumindo uma expectativa de inflação. É uma medida com forte valor informativo.
No início do ano, a inflação implícita para 2026 estava em torno de 7,2%. A queda para 4,12% é significativa, reforçando a confiança do mercado na desaceleração da inflação nos próximos anos. Isso mostra que o Banco Central vem realizando um trabalho eficaz no combate à inflação, ancorando expectativas de forma mais eficiente do que o Focus.
Câmbio e juros
Esse otimismo com a inflação também se reflete no câmbio. O dólar, que chegou a R$ 6,30 recuou para perto de R$ 5,50. Parte desse movimento se explica pelo diferencial de juros. Com a Selic ainda em 15% e os juros nos EUA em 5,5%%, há um atrativo para o capital estrangeiro.



