O destaque do dia nos mercados foi a divulgação dos dados JOLTS nos Estados Unidos, que medem a abertura de vagas no mercado de trabalho. Foram registradas 7,4 milhões de vagas abertas, acima da expectativa de 7,1 milhões e também superior à leitura anterior de 7,2 milhões. Isso representa mais um sinal de aquecimento do mercado de trabalho americano, contrariando parte do mercado que esperava uma desaceleração. A relação entre vagas abertas e número de desempregados voltou a subir para cerca de 1,2 ou 1,3, ou seja, mais de uma vaga para cada trabalhador desempregado — patamar acima do teto histórico de 1 e muito acima da média de longo prazo, que é de 0,5.
Amanhã saem os dados do ADP (emprego no setor privado) e na sexta-feira o payroll, que deve confirmar esse cenário de robustez da economia americana. Por outro lado, dados de encomendas à indústria vieram um pouco abaixo do esperado e, na China, o PMI industrial final de abril caiu de 50,4 para 48,3, entrando na zona de contração — é um indicador de sentimento, mas sinaliza fraqueza na atividade industrial chinesa.
Outro dado relevante do dia foi a inflação na zona do euro, que recuou para 1,9%, ficando abaixo do centro da meta do BCE pela primeira vez em muito tempo. Isso fortalece a expectativa de corte de juros pelo Banco Central Europeu na próxima reunião, marcada para quinta-feira. O processo inflacionário pós-Covid parece estar controlado na Europa, ao contrário dos EUA, onde a inflação ainda segue pressionada. A fraqueza econômica europeia — com países como Alemanha próximos da recessão — ajuda a explicar essa diferença.
Para o Brasil, esse ambiente global de possível início de cortes de juros nas economias avançadas é positivo, especialmente se vier acompanhado de alívio no petróleo. A Petrobras anunciou redução no preço da gasolina, o que pode gerar impacto de cerca de -0,10 ponto percentual no IPCA do ano. No entanto, o anúncio da bandeira vermelha para a energia elétrica a partir de julho pode anular parte desse alívio, com impacto relevante sobre os preços de eletricidade.
No plano fiscal, há expectativa para o anúncio de medidas que compensem a desoneração da folha. As ações do governo reacenderam uma discussão saudável sobre a necessidade de ajuste estrutural nas contas públicas. O problema é que o impacto da decisão do STF sobre a desoneração pode ser contido em 2025, mas representa um grande desafio para 2026 e 2027. Se não houver uma reforma mais ampla e planejada, o Brasil corre o risco de um colapso da máquina pública, com as despesas obrigatórias — saúde, educação, transferências sociais e previdência — consumindo praticamente todo o orçamento. Por isso, o anúncio de medidas estruturais hoje seria um avanço importante.


