Inflação nos EUA em queda

O grande destaque da manhã foi o dado de inflação nos Estados Unidos. O CPI de maio subiu apenas 0,1%, abaixo da expectativa de 0,2%, e o núcleo da inflação (core CPI), que exclui os itens mais voláteis, também avançou apenas 0,1%, frente a uma projeção de 0,3%. Em 12 meses, o CPI acumula alta de 2,4%, e o núcleo está em 2,8%, também levemente abaixo da projeção de 2,9%. Ou seja, mais um mês com surpresas positivas no combate à inflação americana.

Um ponto importante: não houve impacto perceptível das novas tarifas comerciais anunciadas por Trump e Biden. Isso pode ser explicado por dois fatores: o ritmo ainda moderado de repasse das tarifas pelos produtores e o fato de que muitas medidas passaram a valer apenas em abril e maio. Além disso, a desaceleração econômica dos EUA tem contribuído para conter pressões inflacionárias.

Esses dados aumentam significativamente a probabilidade de cortes de juros nos EUA. O mercado agora precifica dois cortes de 0,25 p.p. no segundo semestre, o que levaria a taxa de juros para 4% ao ano. Esse cenário é bastante favorável para países emergentes como o Brasil, já que o diferencial de juros volta a se ampliar, favorecendo o real. O dólar perdeu força e o real voltou a se valorizar. Os juros futuros no Brasil também recuaram.

No cenário doméstico, o IPCA também surpreendeu positivamente, com uma leitura abaixo do esperado. Apesar de alguma pressão nos serviços, os preços de alimentos finalmente começaram a ceder. A curva de juros local continua fechando, e o câmbio segue favorecido.

Ainda no radar: segue no Congresso a discussão sobre o financiamento da desoneração da folha (UF), mas sem grandes definições por enquanto.

Amanhã será divulgado o PPI (índice de preços ao produtor) dos EUA, outro dado importante para confirmar a tendência de desinflação.

Vale lembrar que a China divulgou nesta semana dados de deflação no atacado, enquanto na semana passada a inflação ao consumidor na Europa ficou abaixo de 2%, o que viabilizou o corte de juros pelo BCE. Ou seja, temos uma safra muito positiva de dados de inflação globalmente: China, Europa e EUA convergindo para uma desinflação consistente.

Além disso, a queda dos preços internacionais de commodities — com o petróleo em torno de US$ 60 e o minério de ferro abaixo de US$ 100 — reforça esse cenário benigno.

Resumo: É uma quinzena muito boa para os mercados. A combinação de inflação mais baixa, desaceleração moderada e queda nos juros longos sustenta o otimismo. No Brasil, esse ambiente pode contribuir para manutenção da Selic na próxima reunião do Banco Central, ainda que o cenário permaneça incerto.

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