Os dados de inflação divulgados hoje pela manhã nos Estados Unidos vieram em linha com o esperado. O índice cheio mostrou alta de 0,3% no mês e 2,7% em 12 meses, enquanto o núcleo (que exclui alimentos e energia) avançou 0,2% no mês e 2,9% no ano, mantendo-se próximo da meta de 2% do Federal Reserve. A abertura do índice revela deflação nos bens duráveis, reforçando a tendência de queda de preços nesta categoria. No entanto, os serviços seguem pressionados, principal fonte de inflação atualmente. Mesmo o chamado supercore — núcleo que também exclui habitação — ainda mostra resistência.
Ontem, tivemos também a revisão final do PIB do segundo trimestre, que mostrou crescimento robusto de 3,8%, acima das expectativas. Esse resultado trouxe uma reavaliação do cenário econômico e reduziu o discurso de desaceleração. O mercado de trabalho continua se ajustando, com aumento da taxa de desemprego e criação de vagas mais fraca, mas sem sinal de recessão iminente. O pedido de seguro-desemprego veio mais baixo do que o previsto, indicando resiliência na atividade.
Esses dados levaram o mercado a rever a precificação dos cortes de juros: a taxa de 10 anos voltou para 4,16%, depois de ter ficado abaixo de 4% na semana anterior, quando predominava a percepção de mercado de trabalho mais fraco. Agora, o consenso é de que o Fed poderá realizar apenas um corte de 0,25 p.p. em outubro e, possivelmente, mais um em dezembro — mas a incerteza sobre dois cortes no ano aumentou. Mesmo em 4%, a taxa de juros segue restritiva, ainda que menos do que no patamar de 5% anterior.
Outro ponto relevante é o contexto político: a diretoria do Fed caminha para uma composição mais favorável a Trump, e o mandato de Jerome Powell termina em março.



