O estudo “O Papel da Inovação na Evolução da Indústria de Máquinas e Equipamentos” (ABIMAQ e FI Group, outubro de 2025) apresenta um diagnóstico abrangente sobre o comportamento inovador das empresas do setor no Brasil. O levantamento, com 168 empresas respondentes — 86% de pequeno e médio porte —, busca compreender como a inovação é percebida, realizada e gerida. O objetivo central é identificar gargalos, orientar políticas públicas e subsidiar ações institucionais da ABIMAQ. A pesquisa mostra que, embora a inovação seja reconhecida como elemento essencial para produtividade e competitividade, o ambiente brasileiro ainda apresenta barreiras estruturais, como juros altos, complexidade tributária, obsolescência fabril e baixa difusão tecnológica.
Os dados indicam que 92,2% das empresas introduziram inovações em produtos ou processos entre 2022 e 2024 — taxa superior à média da indústria nacional (64,6%, segundo a PINTEC). A inovação é predominantemente orientada pela demanda, com 33% das empresas apontando os clientes e o mercado como principais fontes, seguidos pelos departamentos internos de engenharia e P&D (27%). O foco majoritário está no desenvolvimento de novos produtos (30%) e na melhoria dos existentes (28%), com menor atenção à inovação em processos produtivos e internos, que poderiam elevar eficiência e reduzir custos. A concentração regional das empresas inovadoras está no Sudeste (63,7%) e Sul (32,7%), refletindo a estrutura geográfica do setor industrial brasileiro.
A pesquisa destaca ainda a crescente adoção da servitização — integração entre produtos e serviços —, já praticada por 72% das empresas. Os serviços mais comuns são manutenção e suporte técnico (47%), monitoramento remoto via IoT (26%) e treinamento de clientes (20%). Essa tendência reforça o papel da inovação voltada ao valor agregado e à experiência do cliente. Entretanto, persistem obstáculos relevantes: incerteza de mercado (34%), riscos tecnológicos (27%), escassez de recursos financeiros (20%) e resistência cultural interna (16%). Esses fatores inibem decisões estratégicas de longo prazo e dificultam a consolidação de uma cultura de inovação.
A estrutura interna das empresas revela boa qualificação técnica — 84% dos profissionais de inovação possuem ensino superior ou pós-graduação —, mas também infraestrutura defasada, com 42% das plantas industriais operando com equipamentos de mais de 15 anos. Apenas 11% das empresas investem mais de 5% do faturamento bruto em inovação, enquanto cerca de metade destina menos de 3%. Esse nível é muito inferior ao de países líderes, como Israel (6% do PIB), Coreia do Sul (5%) e EUA (3,4%). Além disso, 52% das empresas não utilizam incentivos governamentais, como a Lei do Bem ou financiamentos da FINEP e BNDES, o que evidencia subaproveitamento de instrumentos públicos de fomento.
Um dado positivo é que 71% das empresas relatam colaboração com universidades, ICTs e startups, sinalizando a disseminação de práticas de inovação aberta. Contudo, o Brasil ainda carece de integração entre políticas públicas e estratégias empresariais. A falta de metodologias estruturadas de gestão também limita resultados: 35% das empresas não utilizam frameworks como Lean, Scrum ou Design Thinking. Quando a inovação ocorre, ela é vista por metade das empresas como consequência natural das atividades rotineiras e por 46% como processo planejado. Em ambos os casos, há um esforço de formalização que pode ser potencializado por políticas mais estáveis e por ecossistemas cooperativos.
O impacto da inovação é amplamente reconhecido: 26,5% das empresas apontam aumento da diferenciação de produtos, 25,8% fortalecimento da marca, e 19,6% ganhos de eficiência e redução de custos. Ainda assim, a baixa intensidade de investimento e o envelhecimento tecnológico limitam a transformação estrutural do setor. As conclusões do estudo reforçam que o Brasil está distante dos padrões de investimento e integração institucional das economias inovadoras, mas há espaço expressivo para avanço. Consolidar a inovação como prática estratégica contínua exige coordenação entre governo, indústria, universidades e agências de fomento. O relatório encerra afirmando que a inovação deve deixar de ser uma possibilidade e tornar-se um imperativo nacional, condição essencial para a competitividade, sustentabilidade e soberania tecnológica do país.


