Os Institutos Senai de Inovação (ISI) têm desempenhado um papel estratégico para a economia brasileira, e um estudo recente realizado por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, em parceria com os institutos Fraunhofer IPK e ISI, quantificou esse impacto de forma inédita. De acordo com os resultados, a presença dos ISI nas regiões onde atuam gera um acréscimo médio de R$ 985 no PIB per capita local, o que corresponde a cerca de 0,66% do PIB total do país. Essa conclusão é relevante porque comprova que a política de incentivo à inovação, quando estruturada e capilarizada, tem efeitos mensuráveis sobre a renda e o desenvolvimento econômico.
Criada em 2012 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a rede ISI nasceu com a missão de aproximar pesquisa aplicada, desenvolvimento tecnológico e indústria, transformando conhecimento em ganhos de produtividade. Até 2019, já estavam operacionais 26 dos 28 institutos planejados, espalhados em diferentes regiões do Brasil, cobrindo setores estratégicos como manufatura avançada, biotecnologia, automação, energia, alimentos e nanotecnologia.
O impacto econômico medido deve ser contextualizado: o PIB per capita médio das regiões analisadas foi de aproximadamente R$ 52 mil no período estudado, de forma que o incremento de R$ 985 é modesto em termos relativos, mas estatisticamente significativo. Ele demonstra que mesmo programas direcionados e de nicho podem gerar efeitos agregados relevantes na economia, sobretudo quando replicados em escala nacional. Em tempos de baixo crescimento da produtividade no Brasil, esse resultado reforça a importância de investimentos continuados em inovação.
Os números também impressionam pelo volume de projetos realizados. Até meados de 2024, os ISI já haviam concluído cerca de 3.350 projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, somando R$ 3,15 bilhões em investimentos. Um dado importante é que mais da metade desses projetos foi conduzida em parceria com pequenas e médias empresas, ampliando o alcance da política e promovendo a difusão tecnológica em empresas que geralmente têm menos recursos para investir em P&D por conta própria.
Os exemplos de soluções desenvolvidas são diversos e de alto impacto: desde veículos submarinos autônomos para inspeções em águas profundas na indústria de petróleo e gás, passando por biocombustíveis de algas e processos para produção de SAF (combustível sustentável de aviação), até a participação no desenvolvimento de um nanossatélite industrial brasileiro. Esses casos mostram como os institutos têm atuado na fronteira tecnológica, com potencial de alavancar novos mercados e consolidar competências industriais avançadas no país.
Por fim, os autores do estudo destacam que os investimentos em inovação possuem retornos elevados, com multiplicadores estimados entre 10 e 30 vezes na literatura econômica internacional. Contudo, alertam que há risco de retornos decrescentes se os investimentos forem ampliados sem planejamento estratégico. No estágio atual, porém, os resultados indicam que o Brasil deveria intensificar a aposta nessa política, expandindo e fortalecendo a rede ISI, como parte de uma estratégia mais ampla de transformação produtiva, aumento de complexidade econômica e crescimento sustentável.

Exemplos de Projetos dos Institutos Senai de Inovação (ISI):
Manufatura aditiva e prototipagem: desenvolvimento de tecnologias em Joinville (SC) que reduziram em até 40% o custo de prototipagem de peças para a indústria automotiva. Bio-óleo de resíduos agrícolas: criação de processos no ISI de Biomassa (BA) para produzir combustíveis renováveis a partir de resíduos, beneficiando pequenos produtores rurais. Inspeção preditiva em mineração: sistema desenvolvido em Minas Gerais para monitorar integridade estrutural, evitando acidentes e reduzindo paradas não programadas. Veículos submarinos autônomos: usados para inspeções visuais em 3D em águas profundas na indústria de petróleo e gás, aumentando segurança e eficiência. Combustível sustentável de aviação (SAF): desenvolvimento de processos de produção de SAF, reduzindo a pegada de carbono da aviação. Biocombustível de algas: pesquisa para produção de energia limpa a partir de algas, com potencial de diversificação da matriz energética. Nanossatélite industrial brasileiro: participação no desenvolvimento de satélite para aplicações industriais e monitoramento em órbita. Sensores inteligentes para PMEs: exemplo de uma pequena empresa catarinense que, com apoio do ISI, desenvolveu um sensor de monitoramento de motores elétricos e passou a exportar para mais de 10 países.
1. ISI-ER – Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis
Está fazendo o maior mapeamento do potencial eólico offshore brasileiro, focado na Margem Equatorial. Desenvolvendo a primeira planta-piloto do país para estudos em energia eólica offshore, que está em fase de licenciamento ambiental junto ao Ibama. Também em curso, a primeira planta-piloto da Petrobras para produção de hidrogênio renovável. Projeto “Escolas Solares” instalou mini usinas fotovoltaicas em escolas públicas no Rio Grande do Norte, para reforçar ensino prático em matérias como física, ciências, geografia etc.
2. Projeto Bravo 2 (Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore)
Colaboração entre a Petrobras, o ISI-ER e o ISI de Sistemas Embarcados. Trata-se de uma boia flutuante com LiDAR para medir ventos offshore, meteorologia e variáveis oceanográficas. A segunda versão, chamada de Bravo 2, foi lançada em 2023 a cerca de 20 km da costa do RN. A boia é movida por módulos fotovoltaicos, e possibilita registrar vento, pressão, umidade etc. Muito relevante para identificar áreas com potencial para exploração de energia eólica.
3. Projetos de Santa Catarina finalistas em prêmio de energia e sustentabilidade
Ferramenta Diverless para remoção do coral-sol nos cascos de embarcações, para evitar uso de mergulhadores — mais seguro, tecnológico. Robô para Áreas de Difícil Acesso (RDA-R), para pintar/revestir partes de plataformas offshore. O próprio Bravo (boia), já mencionado, também entre os finalistas dessas categorias.
4. Projeto de produção de baterias de íons de lítio
O ISI em Eletroquímica está liderando um projeto para produção nacional de baterias de íons-lítio no Paraná, com planta-piloto, para toda a cadeia de valor (desde mineração dos minerais, refino, componentes, montagem). Empresas parceiras incluem nomes grandes como Stellantis, Volkswagen, GM, WEG, entre outras. Investimento total previsto de ~ R$ 68,8 milhões.
5. ISI / IST de Pernambuco no programa Rota 2030
Projeto com a empresa Durametal de Pernambuco, que envolve desenvolvimento de sistema web integrado para registro e monitoramento em tempo real da produção, interrupções, tempos etc.

