IPCA-15 acumula inflação de 4% em 12 meses

O IPCA-15 de junho, medido de 15 de maio a 15 de junho, mostrou uma variação de 0,39%, abaixo da expectativa de 0,45%. O IPCA acumulado em 2024 está em 2,52%, e, nos últimos 12 meses, atinge 4,06%, bem acima da meta de 3%. O índice pode ser qualificado como razoável. Embora melhor do que o esperado, ainda está longe de ser um IPCA controlado. A difusão de alta de preços aumentou de 55% para 56%, com mais preços em elevação. Os núcleos de inflação, que excluem as maiores variações, subiram de 0,31% para 0,34%. Os serviços mostraram uma leve desaceleração para 0,10%, comparado aos 0,34% da última medida. No entanto, os serviços subjacentes, mais estruturais, aceleraram de 0,31% para 0,40%, indicando que a pressão inflacionária nos serviços ainda persiste. O maior destaque negativo foi alimentos, com uma alta de 0,98%, a maior entre os nove grupos analisados. Este aumento já reflete os efeitos da tragédia no Rio Grande do Sul sobre os preços dos alimentos. Na última leitura do mês passado, este número era de 0,26%, mostrando uma penalização significativa. Por outro lado, o destaque positivo foi o setor de Transportes, com uma queda de quase 9% no preço das passagens aéreas, ajudando a conter a inflação. A economia aquecida, o mercado de trabalho apertado e a desvalorização cambial complicam o cenário de inflação para o segundo semestre. O dólar está em R$5,50, uma desvalorização significativa que impacta os preços dos produtos transacionáveis. Apesar de a ata do COPOM ter mostrado um Banco Central atento e comprometido com o combate à inflação, o cenário continua desafiador. A desvalorização cambial é inflacionária, afetando os preços dos alimentos e de outros bens transacionáveis. A vida do Banco Central será mais difícil nos próximos meses.

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