IPCA-15 de novembro em 0,2%

O IPCA-15 de novembro saiu acima do esperado: 0,20% entre 15 de outubro e 15 de novembro. O número em si não é explosivo, mas reacende o debate central do momento: quando começam os cortes de juros no Brasil?

O mercado está dividido entre janeiro e março. Eu, pessoalmente, estou mais na linha de março — possivelmente até abril — dadas as pressões que ainda aparecem na composição. Em 12 meses, o IPCA-15 acumula 4,5%, exatamente o teto do intervalo da meta (centro de 3%, com banda de 1,5 ponto para cima ou para baixo).

O problema é que a inflação de serviços permanece pressionada. Serviços subjacentes seguem altos, e os serviços mais estruturais — muito ligados ao mercado de trabalho apertado — ainda mostram pouca desaceleração. O que tem mantido o quadro mais benigno são alimentos, que estão perto da deflação, e o efeito da queda da gasolina.

Mas, olhando o “miolo”, o qualitativo do IPCA-15 piorou. Os núcleos mais sensíveis ao nível de atividade vieram mais altos, especialmente aqueles que excluem itens mais voláteis. Isso explica por que algumas casas ainda apostam em corte já em janeiro, embora eu ache mais razoável imaginar o ciclo começando no final do primeiro trimestre.

Do lado do Banco Central disseram que não há espaço para novas altas; o próximo passo é corte. A discussão agora é quando — não mais se haverá corte. Vale lembrar: mesmo com a redução, a Selic deve ficar acima do juro neutro, provavelmente perto de 12,5% ou seja, nada parecido com juro baixo — apenas uma saída do patamar excepcionalmente contracionista em que estamos hoje.

Estados Unidos

Nos EUA o quadro é semelhante em termos de incerteza. O mercado discute a possibilidade de mais um corte ainda em dezembro, mas também há divisão dentro do Federal Reserve. Os dados recentes trazem um sinal misto: a confiança do consumidor piorou.

O Livro Bege do Fed, que sai agora, pode ajudar a esclarecer o quadro, mas ainda não há visibilidade suficiente para cravar o movimento de dezembro.

Brasil e EUA: os dois debates centrais

Portanto, o cenário global de curto prazo está marcado por duas questões:

Brasil: quando começa o ciclo de cortes — janeiro ou março/abril? EUA: haverá mais um corte em dezembro ou o Fed segurará até 2025?

No caso brasileiro, o PIB do terceiro trimestre deve vir em algo como 0,3%, o que sustenta a visão de desaceleração moderada, mas não recessão. Esse número será chave para a calibragem final do BC.

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