IPCA-15 de outubro traz boa notícia para a inflação no Brasil

O IPCA-15 de outubro apresentou alta de 0,18%, bem abaixo dos 0,48% registrados em setembro e também abaixo das expectativas do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,94%, reforçando o cenário de desaceleração da inflação. A principal contribuição veio da queda na inflação de bens industriais, em linha com o movimento de deflação de preços ao produtor e ao consumidor na China — um fenômeno que tem repercussões globais.

Na China, a inflação negativa reflete um cenário preocupante: forte capacidade produtiva ociosa, investimento ainda elevado (em torno de 40% do PIB) e consumo doméstico estagnado. Isso força o país a buscar mercados externos para escoar seu excesso de produção industrial, o que contribui para pressionar os preços mundiais para baixo. O setor industrial chinês ainda cresce cerca de 6%, enquanto os setores imobiliário e de infraestrutura seguem enfraquecidos. Essa dinâmica explica a invasão global de produtos chineses, como carros elétricos, eletrônicos e equipamentos de telecomunicação, e tem efeito deflacionário no comércio internacional.

No Brasil, o comportamento dos preços segue positivo. O índice de difusão — que mostra o percentual de itens com alta de preços — caiu de 53% em setembro para 50,9% em outubro, sinalizando um arrefecimento mais generalizado. A inflação de serviços e alimentos também mostrou recuo, e o núcleo de inflação veio dentro de patamar confortável. Historicamente, os meses de novembro e dezembro costumam apresentar pressões sazonais, mas o panorama atual sugere que o fim de 2025 pode trazer uma inflação controlada, o que facilita a política do Banco Central.

Em termos externos, a deflação chinesa e o excesso de capacidade global indicam que o mundo entra num ambiente mais desinflacionário, o que tende a ajudar o Brasil a manter a trajetória de juros em queda. Por outro lado, o dado de transações correntes brasileiras, que atingiu déficit de 3,6% do PIB, acende um sinal de alerta: a demanda interna aquecida e a forte importação de bens mostram que parte do crescimento recente transborda para o exterior.

No conjunto, os dados mais recentes confirmam um cenário favorável à inflação, mas que exige atenção à balança de pagamentos e à dinâmica da atividade global. A combinação de deflação industrial chinesa e moderação de preços domésticos reforça a tendência de desaceleração inflacionária e oferece algum espaço para o Banco Central continuar ajustando a política monetária.

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