IPCA-15 mostrou uma inflação de 0,11% em janeiro

  1. Alta de Juros no Japão
    O Banco do Japão elevou os juros de 0,25% para 0,50% ao ano, sem maiores consequências nos mercados. Em agosto do ano passado, quando a taxa foi ajustada para 0,25%, o Nikkei despencou mais de 10%, com circuit breakers ativados. Isso mostrou a emotividade dos mercados na época. Desta vez, o impacto foi quase inexistente, com o Nikkei já próximo de sua máxima histórica. A inflação no Japão, novidade no cenário pós-pandemia, forçou o banco central a ajustar sua política monetária.
  2. Movimentos de Juros nos Países Ricos
    Após declarações no Fórum de Davos, cresceu a expectativa de cortes de juros nos países desenvolvidos. Trump, por exemplo, tem demonstrado preocupação com inflação e tarifas, indicando estímulo à produção de petróleo e aumento de competitividade via dólar fraco, em vez de tarifas inflacionárias. Dados recentes, como pedidos de seguro-desemprego nos EUA, reforçam a possibilidade de cortes pelo Federal Reserve, com potenciais reduções ainda no primeiro semestre. Esse cenário beneficiaria economias emergentes como o Brasil.
  3. Câmbio e Preços no Brasil
    O dólar atingiu R$ 5,87 na esteira desses movimentos globais. No entanto, a alta do câmbio pressiona os preços dos alimentos, um fator crítico para a população mais pobre. A inflação divulgada pelo IPCA mostrou uma alta de 0,11% em janeiro, acima do esperado (0%), mas ainda o menor IPCA de janeiro desde 1995. Houve redução de 10% no preço da energia elétrica, graças às chuvas que estabilizaram o regime hidrológico, mas núcleos da inflação e difusão de preços continuam pressionados. A inflação acumulada em 12 meses está em 4,5%, acima da meta de 3%.
  4. Conta Corrente e Investimento Estrangeiro
    O déficit em transações correntes do Brasil fechou 2023 em US$ 55 bilhões, equivalente a 2,5% do PIB. Apesar disso, o investimento direto estrangeiro foi de US$ 70 bilhões (3,2% do PIB), mais que suficiente para cobrir o déficit. Isso demonstra confiança de investidores, mesmo com saídas de capitais observadas em dezembro.
  5. Perspectivas para o Brasil
    O cenário global de possível redução de juros em economias avançadas e desaceleração inflacionária nos EUA seria positivo para o Brasil. O desafio continua sendo a inflação interna, com alimentos e combustíveis exercendo pressão, além da necessidade de estabilizar o câmbio para aliviar preços ao consumidor. Com dados importantes previstos para a próxima semana, o Banco Central enfrenta um contexto difícil para controlar os núcleos inflacionários e manter a credibilidade econômica.

Deixe uma resposta