O destaque desta manhã é o IPCA de setembro, que fechou em 0,44%, um pouco abaixo da expectativa de 0,45%. Em 12 meses, o índice acumula alta acima de 4%, bem superior à meta de inflação de 3%. O índice de difusão foi de 56,5%, em linha com o esperado de 56%. Há boas notícias no índice, especialmente na parte de serviços. Os serviços subjacentes, ou serviços estruturais, apresentaram uma leve alta de apenas 0,01%, caindo de 0,28%. Já os serviços em geral subiram 0,15%, abaixo do 0,24% registrado anteriormente. A média dos núcleos também caiu de 0,24% para 0,22%, o que é positivo, já que os núcleos retiram as maiores variações do índice, revelando uma melhora no núcleo do indicador. O maior vilão do mês foi a energia elétrica, que subiu 5,36%, impulsionada pela bandeira vermelha, que deve permanecer até o final do ano devido à seca. Esse aumento significativo no custo de energia já era esperado. No entanto, não deve mudar a decisão do Banco Central nas próximas reuniões, embora haja incerteza se as altas serão de 0,25 ou 0,50 ponto percentual nas reuniões de novembro e dezembro. Enquanto inicialmente se projetava uma alta de 0,25, muitos traders e gestores, assim como o Focus, estão apostando em duas altas de 0,50, levando a SELIC a 11,75% até o final do ano.
A notícia positiva de hoje, com o núcleo do índice mais comportado, contribui para que o Brasil alcance a meta de inflação no futuro, mostrando que não há um processo disseminado de alta nos indicadores principais de inflação. Ainda assim, a meta de 3% parece distante, com a inflação correndo perto de 4,5% no ano. A projeção é que a inflação feche 2024 em torno de 4,5%, enquanto o Banco Central foca na meta de 2026, que já está em 3,6%, segundo o último relatório Focus. Amanhã, teremos o CPI nos Estados Unidos, equivalente ao IPCA, e na sexta-feira, o PPI, que mede os preços ao produtor, dois indicadores importantes. Nos EUA, o FED está ajustando seu discurso, sinalizando um possível corte de 0,25 ponto percentual nas próximas reuniões. A ata do FED também será divulgada em breve, refletindo a discussão da última reunião, onde houve um corte de juros de 0,50 ponto. No Brasil, temos visto uma queda nas commodities e estímulos econômicos mais fracos da China, o que impactou a BOVESPA negativamente. A curva de juros continua pressionada, com juros médios acima de 12% para a próxima década. Esse patamar é elevado, considerando que a inflação média esperada para os próximos anos está em torno de 4%, resultando em um prêmio real de juros de cerca de 8%, o que parece exagerado. Este é o panorama atual da manhã.


