Javier Milei deve liderar um governo com características semelhantes ao de Macri

Em primeiro lugar, acredito que sua eleição representa, em minha opinião, um voto de protesto contra a persistente insatisfação na Argentina devido à inflação descontrolada e à bagunça nas contas públicas. Milei, ao contrário de políticos tradicionais, como Macri e até mesmo figuras mais à direita, como Patrícia Bullrich, não faz parte do establishment político. Sua ascensão foi impulsionada pelo desejo de mudança expresso nas urnas. No entanto, a proposta de anarcocapitalismo que ele defende parece impraticável na realidade. Essa ideia, até o momento, não foi implementada por nenhum país, pois as economias modernas dependem da presença do Estado, de instituições como o Banco Central, o Ministério da Fazenda e o Ministério da Indústria. Na prática, essa abordagem parece existir apenas no campo das ideias e não se alinha com as realidades econômicas globais.É interessante notar que a equipe que Milei está formando parece mais pragmática e alinhada com a abordagem de Macri. O governo dele está sendo percebido como uma continuação do governo Macri, uma espécie de Macri 2.0. O possível nome para o cargo de ministro da fazenda é alguém com experiência de mercado, indicando uma abordagem mais centrada no pragmatismo, com a manutenção de instituições como o Banco Central. Além disso, a ideia de dolarização, assim como outros planos mais exóticos, parece pouco viável. A Argentina enfrenta desafios como déficit externo, déficit na balança comercial e falta de reservas cambiais, o que torna a dolarização uma opção inviável. O país não tem acesso fácil a dólares, tornando difícil a implementação dessas propostas. No que diz respeito às relações internacionais, é crucial notar a importância do Brasil como principal parceiro comercial da Argentina. Uma postura mais à direita e orientada pelo mercado provavelmente resultará em políticas como abertura econômica, redução de tarifas, privatizações e diminuição de subsídios. A Argentina, dependente do Brasil e da China como seus maiores parceiros comerciais, continuará buscando relações pragmáticas com esses países. Embora a retórica de campanha possa ter sido mais radical, parece que o governo de Milei adotará uma abordagem mais pragmática na prática, como indicado pelos nomes que estão sendo considerados para cargos-chave. Isso sugere uma possibilidade de que o governo se torne mais moderado e adaptado à realidade econômica do país.

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