As ideias da economista britânica Joan Robinson, por muito tempo marginalizadas pelo pensamento econômico dominante, voltam a ganhar relevância em um cenário de crescente desindustrialização no Ocidente e avanço da China como potência manufatureira. Robinson, uma das principais vozes da escola pós-keynesiana, questionava os dogmas do livre-comércio e defendia o uso estratégico de tarifas e políticas industriais como instrumentos para promover o desenvolvimento produtivo de países em desvantagem.
Robinson argumentava que o livre-comércio, ao contrário do que pregava a ortodoxia, não gerava automaticamente benefícios mútuos. Em um mundo desigual, ele tendia a consolidar a superioridade das economias industrializadas, ao mesmo tempo em que dificultava o progresso das nações menos desenvolvidas. Para ela, países que desejassem romper com a armadilha da especialização em produtos primários deveriam proteger suas indústrias nascente e investir em capacitação produtiva, mesmo que isso significasse contrariar os princípios do comércio internacional vigente.
A atual conjuntura econômica — marcada por choques globais, tensões geopolíticas e uma crescente insatisfação das populações com a perda de empregos industriais — parece ressuscitar muitos dos argumentos de Robinson. Nos Estados Unidos, por exemplo, figuras políticas como Donald Trump passaram a defender tarifas generalizadas sobre importações e políticas de reindustrialização nacional. Embora por motivações distintas, tais medidas coincidem com o diagnóstico robinsoniano de que o mercado, sozinho, não corrige as assimetrias estruturais entre nações.
Mais do que uma crítica ao livre-comércio, Robinson propunha uma revalorização do papel do Estado na coordenação econômica. Isso incluía planejamento estratégico, controle de capitais em momentos de vulnerabilidade externa, e uma política fiscal ativa voltada para o pleno emprego. Seu pensamento antecipava muitas das ideias que hoje retornam ao centro do debate, como a necessidade de soberania produtiva, regulação de fluxos financeiros e a promoção de setores industriais com alto valor agregado.
Revisitar Joan Robinson, portanto, não é apenas um exercício histórico. É um convite a repensar as bases do desenvolvimento em um mundo onde a competição global deixou de ser neutra. Suas ideias oferecem ferramentas para que países em diferentes estágios de desenvolvimento possam formular estratégias que valorizem sua base produtiva e rompam com a dependência de estruturas econômicas herdadas de um comércio desigual. O atual retorno das políticas industriais e tarifárias em diversas nações talvez não represente uma ruptura ideológica com o passado, mas sim um reconhecimento tardio da validade dos alertas de Robinson.


Creio que o que nos diz a senhora Robinson, é uma óbvia constatação do que sempre existiu. Apenas isso foi abafado pela mídia neoliberal. Ávida para colocar as mãos em setores que a Economia Estatal dominava e ia muito bem. Nisso sua propaganda “fake news” de que é melhor uma empresa ser administrada pelo setor privado, que pelo Estado, faz a cabeça de muita gente que “não para para pensar”.
A estúpida venda da SABESP, Cia de Águas de São Paulo, por uma ninharia, montada na obsoleta ideia fantasiosa de que a empresa particular cuida melhor dos setores cruciais da Economia do que o Estado, na prática não se verifica.
A péssima gestão das privatizadas ENEL em São Paulo, e o soterramento das cidades de Mariana e Sobradinho, depois que a Vale do Rio Doce foi vendida para particulares, demonstram que o setor privado, ávido pelo maior lucro, economizam até no setor de segurança. Algo essencial para preservar vidas.
O Livre Comércio, sem a tutela do Estado, como nos casos da ENEL, SABESP, VALE, tem seus serviços deteriorados. Através de uma administração predatória, onde o lucro vem acima de tudo. Então, NÃO É TUDO QUE SE PODE DEIXAR NAS MÃOS DOS PARTICULARES.
A frase da Joan Robinson: “o mercado, sozinho, não corrige as assimetrias estruturais”, é uma constatação empírica e básica, para se entender como as coisas funcionam ou deixam de funcionar.
Sem a ação protetora do Estado, seja financiando setores cruciais, seja protegendo-os através de tarifas, o mercado interno de seus países, a economia não vinga nem prospera.