Juro longo volta a subir e derruba mercados

A Treasury de dez anos voltou para a casa dos quatro por cento, desencadeando uma realização no mercado. Tanto lá fora quanto aqui no Brasil, observamos quedas nas bolsas, valorização da moeda americana e alta nos juros futuros. Esses movimentos aparentam ser parte de um processo de acomodação. O recente rali nos juros longos, que alcançaram três e oitenta e nove, levanta a discussão sobre a possibilidade de cortes já em março. Contudo, essa aposta é vista como um tanto prematura, sugerindo que o corte de juros nos EUA pode ser mais provável no final do segundo trimestre. Ontem, dados sobre o relatório ADP e pedidos de auxílio-desemprego indicaram um mercado um pouco mais robusto. Isso adicionou pressão nas taxas longas, resultando na queda das bolsas, tanto em mercados locais quanto nos EUA. O Payroll das dez e meia de hoje é crucial para confirmar ou reverter essa dinâmica. A expectativa é de cento e setenta mil vagas criadas em dezembro nos Estados Unidos. Um número mais fraco pode desmontar a tendência recente, enquanto um resultado robusto pode fortalecer ainda mais essa direção. Além disso, destacam-se os dados do ISM de serviços na economia americana, bem como as encomendas na indústria. No Brasil, o IGP-DI de dezembro revelou o maior resultado desde maio de 2022, com uma alta de zero sessenta e quatro, acelerando em relação a novembro. Apesar dessa aceleração nos últimos meses, ao longo de 2023, o índice acumulou uma queda de três ponto três, indicando uma deflação significativa. O IPA, Índice de Pressão Atacado, apresentou uma forte deflação de cinco ponto noventa e dois no ano, destacando quedas expressivas nos preços de alimentos como soja (-21%), milho (-27%), e carnes em geral (-13%). O IPC subiu três ponto cinquenta e cinco no ano, consideravelmente abaixo do que esperamos ver no IPCA nos próximos dias. A produção industrial brasileira mostrou uma recuperação em novembro, com uma alta de meio em comparação com outubro. No entanto, permanece cerca de dez por cento abaixo dos níveis de 2013-2014. A recuperação industrial é essencial para um crescimento consistente e a geração de empregos e salários no Brasil.

 

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