“Explaining Strong Credit Growth in Brazil Despite High Policy Rates” do FMI:
No artigo, os autores analisam como, apesar de o Brasil adotar uma taxa básica de juros elevada (Selic de 15 %), o crédito bancário continuou crescendo de forma expressiva (11,5 % em 2024), levantando dúvidas sobre a eficácia da política monetária. Eles argumentam que essas preocupações são em grande parte infundadas, pois há indícios claros de que a transmissão monetária ainda opera no Brasil, e que o crescimento do crédito já começa a desacelerar.
Para explicar essa aparente contradição, o artigo destaca dois fatores centrais: o forte crescimento de renda e a expansão da inclusão financeira. O aumento de renda eleva a demanda por crédito, enquanto iniciativas como fintechs e maior competição bancária ampliam a oferta de crédito. Ou seja, mesmo com juros altos, o crédito era estimulado por força estrutural e conjuntural que iam além da política monetária.
No que se refere ao funcionamento da política monetária, o estudo estima que um aumento de 1 ponto percentual na taxa básica (Selic) eleva as taxas de empréstimo em cerca de 0,7 ponto porcentual após quatro meses. Também observam que cerca de 40 % do crédito brasileiro é composto por operações com gestão governamental ou direcionadas, que respondem menos (ou quase não respondem) à variação da taxa básica.
Outra evidência apresentada é que o volume de novos empréstimos começou a cair desde abril de 2025, o que sugere que a política monetária está surtindo efeito de “resfriamento” sobre o crédito. No panorama macro, a economia mostra sinais de moderação em meio a políticas monetárias e fiscais restritivas, além de incertezas globais elevadas.
A conclusão é favorável à eficácia da política monetária do Brasil: embora o crédito tenha crescido forte nos últimos anos, isso não implica que o mecanismo de transmissão não funcione. Pelo contrário, o estudo demonstra que a política monetária ainda exerce influência sobre taxas de empréstimo e que as forças adicionais de renda crescente e inclusão financeira foram determinantes para sustentar o crédito mesmo com juros altos.


