Juros devem cair nos EUA em junho

Na quarta-feira, tivemos a divulgação dos índices de inflação nos Estados Unidos e no Brasil um pouco piores do que o esperado, especialmente no IPCA para Brasil que registrou alta de 0,83%. No entanto, internamente, observamos boas notícias, especialmente na área de serviços menos voláteis, que apresentaram queda em relação a janeiro. A importância desse dado reside na análise do impacto do mercado de trabalho aquecido, ou seja, do baixo índice de desemprego, na inflação brasileira. Se os serviços menos voláteis que são mais estruturais e menos sazonais não aumentam isso sugere que o mercado de trabalho não está causando pressão inflacionária na economia. Ontem, essa leitura foi válida tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, indicando uma dinâmica semelhante. Portanto, a interpretação de que a parte estrutural dos serviços está melhor é encorajadora. A redução na difusão, ou seja, na quantidade de serviços que registraram aumento, comparando fevereiro e janeiro, também contribui para essa visão mais positiva. Essas informações tiveram um impacto favorável no mercado brasileiro, refletindo na recuperação da bolsa, na queda dos juros e na valorização do real. Nos Estados Unidos, o índice cheio de inflação ficou em 0,4, em linha com as expectativas. No entanto, o Super Core, que exclui variações significativas, como energia e alimentos, e também as variações relacionadas à habitação, apresentou melhorias. Isso contribuiu para uma leitura positiva no mercado, com as bolsas registrando ganhos. A consolidação da visão de que os cortes de juros começarão em junho parece ter se firmado. A expectativa agora gira em torno da quantidade de cortes, com a possibilidade de até quatro reduções, levando a taxa de juros de cinco e meio para quatro e meio no segundo semestre. Para o restante da semana, a agenda parece mais vazia, destacando-se o PPI a ser divulgado amanhã nos Estados Unidos. Na próxima semana, o foco estará no comunicado do COPOM, que pode cortar a SELIC em 0,5% e mais cortes no futuro.

 

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