Juros longos em queda nos EUA

Começamos a semana com a divulgação do PIB da China referente ao terceiro trimestre, que marcou o início da temporada de resultados das principais economias. O crescimento chinês veio um pouco abaixo do esperado: alta de 4,8%, ante uma projeção de 5,2%. As vendas no varejo também mostraram desaceleração, crescendo 3%, frente a uma expectativa de 3,4%.

Por outro lado, houve um dado positivo na produção industrial, que avançou 6,5%, refletindo a força da indústria chinesa — especialmente em bens manufaturados que têm inundado o mercado global: automóveis, smartphones, telas planas, computadores e outros eletrônicos. Entre os três motores da economia chinesa — infraestrutura, construção residencial e indústria — apenas o setor industrial segue sustentando o crescimento, enquanto o mercado imobiliário continua praticamente paralisado.

As taxas de juros na China estão hoje em torno de 3,45% ao ano para 1 ano e 3,95% para 5 anos, o que mostra um ambiente de crédito ainda relativamente estimulativo, mas sem tração suficiente no setor de construção.

Passando para o cenário internacional, a semana será decisiva para a inflação. Na sexta-feira saem dois indicadores-chave: o IPCA-15 no Brasil e o CPI dos Estados Unidos, que teve sua divulgação adiada por questões administrativas internas (“shutdown”). Esses dados devem direcionar as expectativas de política monetária dos dois países.

Nos Brasil, as projeções do relatório Focus mostram queda gradual da inflação esperada, agora em 4,70% para 2025 e 4,27% para 2026. A principal novidade é a redução da expectativa para 2027, que passou de 3,90% para 3,83% — sinalizando início de um movimento de convergência ao longo do chamado “horizonte relevante da meta”, o segundo trimestre de 2027.

As expectativas de crescimento seguem estáveis: 1,8% para 2026, 2,1% para 2025 e 1,8% para 2027. No caso do Brasil, o cenário também se consolida, com a Selic encerrando 2024 em 15%, caindo para 12,25% em 2025 e chegando a 10,50% em 2027, segundo projeções recentes. A estabilidade nas taxas curtas e a leve queda nas expectativas de inflação reforçam uma perspectiva de normalização monetária gradual.

Outro destaque importante é a Treasury de 10 anos, o ativo de referência global. Depois de atingir picos próximos a 5% durante o estresse eleitoral nos EUA e o fortalecimento do dólar, o rendimento recuou para 3,99%, abaixo da marca simbólica de 4%. Trata-se do menor patamar desde a eleição de Donald Trump, impulsionado pela expectativa de corte de juros e enfraquecimento do dólar. Essa queda tende a beneficiar emergentes como o Brasil, aliviando pressões sobre câmbio e fluxos de capital.

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