Mercado de trabalho dos EUA mostra mais sinais de enfraquecimento

A quinta-feira, 4 de setembro, começou com a divulgação do relatório da ADP sobre a criação de vagas no setor privado nos Estados Unidos. O dado veio bem abaixo do esperado: foram abertas apenas 54 mil vagas, contra uma expectativa de 68 mil e um resultado de 106 mil no mês anterior. Esse desempenho fraco reforça a percepção de uma desaceleração mais forte do mercado de trabalho americano.

Na véspera, outro indicador importante já havia sinalizado essa tendência: o relatório JOLTS, que mede a relação entre vagas abertas e desempregados, mostrou que, pela primeira vez desde 2021, o número de oportunidades disponíveis caiu para menos de uma vaga por desempregado. Atualmente, há cerca de 7,18 milhões de americanos desempregados, superando o número de postos abertos. Essa relação é historicamente relevante, pois períodos em que havia mais vagas do que trabalhadores disponíveis foram justamente aqueles de maior pressão inflacionária — como no auge da Guerra do Vietnã, no ciclo de 2015 a 2018 e no pós-pandemia.

A queda abaixo da marca de 1 para 1, observada agora, é um divisor de águas (“um verdadeiro Rubicão”) para o mercado de trabalho dos últimos três anos, indicando um enfraquecimento mais pronunciado. O impacto foi imediato nos mercados: os juros dos Treasuries de dois anos mergulharam, e a taxa de dez anos recuou para 4,20%.

O relatório da ADP desta manhã reforçou essa leitura de fragilidade, alimentando as apostas de que o Federal Reserve poderá cortar juros já na reunião de setembro. Embora parte do mercado especule até sobre a possibilidade de um corte de 0,5 ponto percentual, considero esse cenário improvável, dado que ainda há pressões inflacionárias vindas de tarifas e serviços. Mesmo assim, cresce a expectativa de dois cortes até o final do ano.

Esse movimento também impacta o Brasil. A perspectiva de juros mais baixos nos EUA tende a favorecer a valorização do real, ainda que em um contexto de incerteza global.

A semana é crucial para os mercados: tivemos o JOLTS ontem, o ADP hoje, e amanhã virá o payroll, que deve coroar essa sequência de indicadores. A expectativa já é fraca, mas há risco de que o resultado seja ainda pior. Caso se confirme, estaremos diante do momento mais delicado para o mercado de trabalho americano desde o período imediatamente após a pandemia.

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