O relatório de emprego (payroll) dos Estados Unidos divulgado na sexta-feira, 2 de maio, apontou a criação de 177 mil vagas em abril, bem acima da expectativa de 138 mil. O número surpreende, especialmente após o relatório ADP, que havia mostrado fraqueza no mercado de trabalho na quarta-feira. Além disso, o dado de março foi revisado significativamente para baixo, de 228 mil para 148 mil vagas.
A taxa de desemprego nos EUA manteve-se estável em 4,2%. Um dado relevante é que o setor público registrou cortes de vagas pelo quarto mês consecutivo. Há também sinais de mudança na composição do emprego: o número de empregos para nascidos nos EUA voltou a crescer, enquanto o de imigrantes recuou, o que inverte o padrão observado nos últimos anos.
A economia americana sofreu uma queda de PIB no primeiro trimestre, mas essa contração foi distorcida pela explosão das importações, que subiram cerca de 50%, em antecipação às novas tarifas que foram anunciadas no início de abril. Com isso, o mercado agora projeta um crescimento entre 1% e 2% no segundo trimestre, afastando os temores de recessão.
Com os dados mais fortes de emprego, o mercado praticamente eliminou a chance de um corte de juros na reunião de junho, e agora projeta o início do afrouxamento monetário apenas em julho.
Brasil: mercado de trabalho misto, mas juros em queda
No Brasil, os dados da PNAD Contínua mostraram uma taxa de desemprego de 7,0% no primeiro trimestre de 2025, mas com forte componente sazonal. Corrigido por esse efeito, a taxa estaria mais próxima de 6,2% a 6,3%. O CAGED, por outro lado, mostrou apenas 50 mil empregos formais criados em março, resultado considerado fraco. A análise foi prejudicada por revisões e dados de fevereiro poluídos.
Apesar disso, abril foi positivo para os ativos brasileiros. A curva de juros futuros teve forte queda, com os vértices longos operando abaixo de 14,00% ao ano, no menor nível desde novembro de 2023. Isso ocorreu em resposta a dados de atividade mais fracos, sugerindo que o ciclo de alta de juros pode estar chegando ao fim.
O mercado espera que a SELIC suba para 14,75% na próxima reunião, mas já há casas discutindo a possibilidade de corte de juros no final de 2025, especialmente após sinais de estabilização nas expectativas de inflação e valorização do real.
Cenário global: alívio com China e EUA, big techs impulsionam bolsas
No cenário externo, as conversas entre Estados Unidos e China sobre tarifas comerciais parecem ter avançado, trazendo alívio ao mercado. Ao mesmo tempo, os resultados corporativos das big techs surpreenderam positivamente: Amazon, Meta e outras apresentaram forte expansão de receita e lucro, o que ajudou na recuperação das bolsas globais.
Com isso, abril termina como um mês positivo para os ativos financeiros no Brasil e no mundo, apesar das incertezas iniciais. Na Europa, o euro também se valorizou em meio à redução das tensões com os EUA, contribuindo para o desempenho dos mercados internacionais.



