Acabaram de sair os dados de criação de vagas nos Estados Unidos — e o número foi bastante fraco. Foram criados apenas 73 mil empregos em julho, menos da metade da mediana das projeções, que apontava para algo em torno de 150 mil. Além disso, os dados anteriores foram drasticamente revisados para baixo:
Maio: de 144 mil para apenas 19 mil Junho: de 147 mil para 14 mil
Ou seja, na prática, tivemos uma criação real de apenas 19 mil empregos em maio, 14 mil em junho e 73 mil em julho — os piores três meses de geração de emprego nos EUA em mais de 4 anos.
Apesar disso, a taxa de desemprego se manteve em 4,2%, conforme o esperado, e os salários até subiram um pouco, o que mostra que não se trata de uma fraqueza clássica da demanda apenas — houve também retração na oferta de trabalho. Um dos destaques foi a forte queda na participação de imigrantes no mercado de trabalho, especialmente entre os nascidos fora dos EUA (“foreign born”).
Esse cenário revela um fenômeno de queda simultânea da demanda e da oferta por trabalho, resultando em um mercado mais equilibrado, mas em um patamar mais baixo de dinamismo. É uma situação que complica a leitura tradicional de fraqueza econômica.
Ainda assim, os mercados passaram a precificar com mais força dois cortes de juros pelo Fed até o fim do ano. Ontem, o dado de inflação havia reduzido um pouco a chance de corte já em setembro, mas com esse payroll, a aposta em afrouxamento monetário voltou com força. As taxas de juros de 2 e 10 anos despencam agora pela manhã.
Nos EUA, o Fed vai ter uma missão muito difícil: os dados de emprego são muito fracos, mas a inflação ainda não permite alívio total. Internamente, o comitê do FOMC já está dividido — dois diretores votaram contra a decisão de manter os juros na última reunião, o que mostra aumento de dissenso.
No Brasil, também tivemos dados relevantes hoje: a produção industrial de junho subiu apenas 0,1%, vindo praticamente estável. É um número fraco e indica desaceleração na indústria brasileira neste meio de ano.
Em termos de mercado, o dólar perde força após o dado fraco nos EUA, o real se valoriza levemente, e as curvas de juros reagem com expectativa de ambiente internacional mais favorável.
Fechamos a semana com essa surpresa negativa vinda do mercado de trabalho americano, que reacende a perspectiva de cortes pelo Fed — mas dentro de um cenário cada vez mais complexo.




