Mercado de trabalho fraco nos EUA

O ADP Employment Report nos Estados Unidos apontou a criação de 42 mil vagas em outubro, ligeiramente acima das expectativas, que giravam em torno de 30 mil. O número de setembro foi revisado para baixo, ficando também próximo de 30 mil novas vagas. Apesar da leve surpresa positiva, o dado reforça o quadro de mercado de trabalho ainda fraco nos EUA, já que as leituras dos últimos três meses têm mostrado desaceleração. Os salários médios — tanto de quem permaneceu no mesmo emprego quanto de quem mudou de empresa — também ficaram estáveis, sem altas relevantes.

Em resumo, trata-se de um mercado de trabalho morno a fraco, reforçando a percepção de perda de dinamismo da economia americana.

Ainda não há o dado oficial do payroll, que seria divulgado na sexta-feira, mas está suspenso por conta do shutdown do governo. Além disso, outros indicadores do Bureau of Economic Analysis (BEA) seguem com atrasos, o que prejudica a leitura mais precisa do cenário. O ADP, vale lembrar, nem sempre se correlaciona bem com o payroll, mas é o que se tem por ora.

Os Treasuries de 10 anos subiram levemente, para 4,10% ao ano, refletindo a percepção de que o Federal Reserve deve manter os juros por mais tempo antes de iniciar cortes. O consenso de mercado ainda aposta em uma redução final, levando o Fed Funds a 3,75% até o fim do ano, embora o cenário siga incerto. No campo político, persiste o conflito entre democratas e republicanos, e os resultados das eleições locais em Nova York e Nova Jersey, com vitórias democratas, podem aumentar a tensão.

No Brasil, o destaque do dia é a reunião do Copom, cujo resultado será divulgado ao fim da tarde. Não há expectativa de corte de juros — o mercado está praticamente unânime em projetar manutenção da Selic em 15%. O foco estará no comunicado: se o Banco Central usará expressões como “período prolongado” ou “período bastante prolongado” para indicar a duração da política restritiva. Pequenas sutilezas semânticas farão diferença na leitura sobre quando o ciclo de cortes pode começar.

A inflação segue sob controle, com expectativa de fechamento em torno de 4,5% em 2025, e as expectativas futuras melhoraram. A economia segue com mercado de trabalho robusto. O dado de produção industrial, por outro lado, mostrou desaceleração, indicando que a atividade começa a se acomodar. Como sempre, o mercado de trabalho tende a reagir com defasagem — é o último a enfraquecer quando a economia desacelera, pois decisões de contratação e demissão são lentas e cautelosas.

No fim do mês, o PIB do terceiro trimestre trará uma leitura mais precisa do ritmo da economia.

Por ora, o quadro é de atividade industrial em acomodação e mercado de trabalho ainda firme, o que reforça a decisão do Copom de esperar mais antes de cortar juros.

Na Bolsa, o Ibovespa esta novamente no patamar simbólico dos 150 mil pontos, enquanto os juros longos se mantêm estáveis em torno de 13,5% ao ano. O real se desvalorizou ligeiramente ontem, chegando a R$ 5,40 por dólar, em linha com movimentos externos de realização de lucros nas bolsas e correções no setor de tecnologia.

O Bitcoin caiu abaixo de US$ 100mil, e muitas ações de inteligência artificial também recuaram — um sinal de cautela diante de valuations muito esticados. Vale lembrar que a Nvidia sozinha já representa 15% do PIB americano, com valor de mercado próximo de US$ 5 trilhões, o que alimenta temores de uma bolha no setor de tecnologia.

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