Começamos a semana com a divulgação do Relatório Focus, que veio praticamente sem alterações relevantes. A inflação esperada para 2026 permanece em 3,91%, enquanto para 2027 houve leve recuo para 3,79%. Para 2028, a projeção caiu para 3,50%. No crescimento, as estimativas seguem relativamente estáveis: expansão de 1,82% este ano e 1,80% no próximo. No câmbio, observa-se leve fortalecimento do real, com a expectativa de dólar em R$ 5,42 neste ano e R$ 5,50 no próximo.
A semana é particularmente importante em termos de dados econômicos. Amanhã será divulgado o PIB brasileiro do quarto trimestre, fechando o resultado do ano. Também sai o Caged, cuja divulgação sofreu atraso. Na sexta-feira, teremos o payroll nos Estados Unidos, dado crucial para avaliar o mercado de trabalho americano e calibrar expectativas para o Federal Reserve. Portanto, trata-se de uma semana decisiva para entender a dinâmica tanto da economia brasileira quanto da americana.
No cenário internacional, o principal fator de risco no momento é a escalada do conflito no Oriente Médio, com ataques envolvendo o Irã e suas respostas subsequentes. O petróleo chegou a subir cerca de 8% em um primeiro momento, depois reduziu o movimento para algo próximo de 4%, refletindo elevada incerteza. Os mercados estão atentos, sobretudo por causa do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente um terço do petróleo transportado por via marítima no mundo. Trata-se de um dos principais gargalos logísticos globais, historicamente estratégico. Qualquer tensão naquela região gera forte reação nos preços de energia.
No Brasil, o impacto inicial foi de estresse na curva de juros e no câmbio. O dólar futuro chegou a subir, enquanto a curva de juros abriu cerca de 10 pontos-base ao longo da estrutura. A bolsa futura recuou perto de 1%. Por outro lado, o Brasil é exportador líquido de petróleo, o que pode, em tese, gerar algum benefício em termos de balança comercial e receitas externas caso o petróleo permaneça elevado. Ainda assim, no curto prazo, o movimento predominante foi de cautela e aversão a risco.


