Mercado Financeiro no Início do Segundo Semestre

Iniciamos este período com desafios significativos para os ativos financeiros brasileiros e emergentes. Nos Estados Unidos, o semestre foi exuberante para as bolsas, com o índice Nasdaq subindo mais de 18% e o S&P 500 crescendo 14%. Em contraste, o Dow Jones, que representa a velha economia, teve um aumento mais modesto de quase 4%. Em contrapartida, a Bovespa caiu 7,6% no ano, apesar de um leve ganho de 1,4% em junho e uma alta de 2% na última semana. O real sofreu uma desvalorização de 15% no ano, sendo a pior moeda entre as emergentes, exceto pelo iene japonês. Outras moedas emergentes, como o peso mexicano, peso colombiano, peso chileno e a lira turca, tiveram um desempenho melhor. Essa desvalorização reflete a pressão sobre os ativos brasileiros. A curva de juros brasileira já projeta uma alta de 0,75 pontos na SELIC até o final do ano. O Relatório Focus prevê uma inflação de 4% para este ano, acima da meta de 3%, indicando que a comunicação do Banco Central não teve o efeito desejado na curva de juros ou nas expectativas de mercado. Persistem incertezas quanto ao novo presidente do Banco Central e ao cumprimento do arcabouço fiscal. A falta de clareza sobre a política fiscal pressiona a taxa de câmbio, aumentando a inflação e dificultando o cenário econômico. Este ciclo vicioso de desvalorização cambial e aumento da inflação representa um grande desafio para o governo. Nos Estados Unidos, os dados recentes mostram uma economia enfraquecida, com mercado imobiliário em dificuldade e aumento nos pedidos de seguro-desemprego, chegando quase a 2 milhões. O relatório de inflação PCE (deflator) de maio mostrou uma inflação anual de 2,6%, próxima da meta de 2%, e o núcleo do PCE também em 2,6%. Esses indicadores dos EUA afetam os ativos brasileiros, principalmente pela influência na taxa de câmbio e nas expectativas de juros. A perspectiva de cortes de juros nos EUA pode aliviar um pouco a pressão sobre as moedas emergentes. A questão fiscal no Brasil é crucial. O governo precisa apresentar uma solução sustentável para as contas públicas. Caso contrário, a pressão sobre a taxa de câmbio e a inflação continuará, prejudicando a economia. A solução deve incluir não apenas aumento de receita, mas também corte de subsídios, que atualmente somam mais de R$ 500 bilhões.

 

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