Mercado imobiliário dos EUA em correção

Os preços das casas nos Estados Unidos registraram queda pelo terceiro mês consecutivo, segundo dados divulgados hoje pelo índice Case-Shiller. A última vez que houve uma sequência semelhante foi durante a pandemia, entre 2021 e 2022. Trata-se de uma sinalização importante de que o mercado imobiliário americano está praticamente estagnado.

As taxas de hipoteca (mortgage rates) continuam elevadas, girando em torno de 7% ao ano, o que derruba o índice de affordability — ou seja, a capacidade das famílias americanas de comprar uma casa. Com preços ainda altos e juros elevados, a correção dos preços era esperada. Cidades como Tampa, San Francisco e Dallas têm liderado esse movimento de queda. Na comparação anual, os preços já se aproximam do patamar zero, sinalizando perda de fôlego no setor.

Esse movimento ajuda a reduzir custos de moradia e pressiona para baixo o índice de aluguéis, o que impacta positivamente a inflação de serviços.Deflação de alimentos no Brasil

No Brasil, também tivemos boas notícias no front inflacionário, com recuos nos preços de carnes, café e alguns produtos industrializados. As tarifas de importação seguem em negociação em Washington, mas por ora não há novidades concretas. O efeito imediato tem sido um alívio nos preços de alimentos, o que contribui para o controle da inflação.

Copom e Fed em foco

Hoje ocorre a reunião do Copom e, amanhã, a do Fed, nos EUA — a chamada “Super Quarta”. Nenhum dos dois bancos centrais deve alterar suas taxas de juros. Mas o cenário inflacionário mais benigno aumenta as apostas de estabilidade e reforça a expectativa de que o ciclo de aperto monetário esteja perto do fim.

Exportações brasileiras para a Argentina disparam

Outro destaque positivo é a forte recuperação das exportações brasileiras para a Argentina, que cresceram mais de 50% em relação ao mesmo período do ano passado e já superam US$ 10 bilhões em 12 meses. Esse movimento é impulsionado pela valorização do peso argentino, que torna os produtos brasileiros mais baratos para os argentinos — especialmente veículos, máquinas e equipamentos. Vale lembrar que a Argentina é o terceiro maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China e dos Estados Unidos, com forte peso de bens manufaturados.

Por outro lado, a valorização exagerada do peso argentino pode ser um sinal de alerta: historicamente, câmbios sobrevalorizados tendem a terminar em crises. No curto prazo, no entanto, o efeito é positivo para o Brasil, ajudando a compensar a recente queda das exportações para os EUA.

Em resumo: o mercado imobiliário americano segue em correção, a inflação no Brasil encontra algum alívio via alimentos, e a balança comercial com a Argentina surpreende positivamente. A Super Quarta com Copom e Fed será o próximo grande marco do cenário econômico.

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