Nesta terça-feira, 28 de outubro, o destaque dos mercados é o forte fechamento da curva de juros, especialmente nos vértices longos, que atingiram as mínimas em mais de um ano. As taxas dos contratos com vencimentos entre 2028 e 2029 caíram para a faixa de 12,97% a 12,98%, refletindo maior confiança na política monetária e nas expectativas de inflação. A curva segue inclinada, sinalizando que o mercado acredita na credibilidade do Banco Central e na convergência da inflação para a meta, o que reforça as apostas em novos cortes de juros ao longo de 2026.
As expectativas de inflação também vêm melhorando de forma consistente: a projeção para o IPCA de 2025 caiu de 5,60% para 4,56%, para 2026 recuou de 4,60% para 4,20%, e para 2027 está em 3,80%. Esse movimento consolida o cenário de desinflação gradual, sustentado por um real mais valorizado e pela queda de preços de combustíveis e alimentos nas últimas semanas.
No ambiente externo, o sentimento é positivo. As bolsas globais renovaram máximas históricas, com o Ibovespa futuro chegando a 150 mil pontos, impulsionado pela perspectiva de um acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos e pelo otimismo em torno das conversas de Lula com líderes asiáticos e chineses. A eventual redução de tarifas sobre produtos agrícolas — como café e carne — interessa aos dois países, e pode reforçar o saldo comercial brasileiro.
Nos Estados Unidos, o mercado trabalha com 95% de probabilidade de corte de juros na reunião de amanhã do Federal Reserve, após dados recentes mostrarem inflação subjacente em 0,3% no mês passado. Esse alívio monetário global reforça o fluxo para mercados emergentes, favorecendo moedas como o real e ativos de risco.
Há ainda expectativa sobre a sucessão de Jerome Powell na presidência do Fed. Dois nomes internos despontam como favoritos — Philip Jefferson e Christopher Waller — e a escolha poderá sinalizar se o banco manterá uma postura mais hawkish (conservadora) ou dovish (expansionista) nos próximos anos.
Diante desse contexto, o “kit Brasil” — combinação de posições em juros futuros, real e bolsa — segue atrativo. Os fundos mantêm forte aplicação em renda fixa, apostando na continuidade da queda das taxas e no fortalecimento da moeda brasileira. A Bolsa, por sua vez, deve manter desempenho positivo nos dois últimos meses do ano, apoiada pelo cenário de inflação em queda, juros mais baixos e fluxo externo favorável.



