A história do Japão moderno é marcada por uma notável sinergia entre o governo e o setor industrial, que impulsionou o país a um crescimento econômico impressionante no pós-guerra. Diversos ministros do governo japonês vieram do setor industrial ou possuíam forte ligação com ele, e muitos implementaram medidas que favoreceram a industrialização e a expansão econômica. A seguir, veremos exemplos de figuras notáveis e as políticas que adotaram para estimular o desenvolvimento econômico e tecnológico do país.
Ministros Oriundos do Setor Industrial
Um exemplo emblemático de ministro com forte vínculo com o setor industrial é Hayato Ikeda. Antes de se tornar primeiro-ministro em 1960, Ikeda desempenhou um papel significativo como Ministro das Finanças e foi um dos principais arquitetos do Plano de Dobrar a Renda (Income Doubling Plan), que tinha como meta dobrar a renda per capita do país em uma década. Ikeda tinha uma perspectiva voltada para o crescimento econômico rápido e para a consolidação do Japão como potência industrial. Sua experiência prévia e visão econômica moldaram políticas voltadas para o aumento da produtividade industrial e para a promoção de investimentos em infraestrutura e tecnologia.
Outro nome relevante é Yasuhiro Nakasone, que serviu como primeiro-ministro de 1982 a 1987. Antes de sua ascensão, Nakasone trabalhou em estreita colaboração com o setor industrial, promovendo uma agenda de liberalização e desregulamentação. Durante seu mandato, ele implementou reformas que incluíram a privatização de empresas estatais, como a Japan National Railways, o que contribuiu para a modernização do sistema de transporte e aumentou a eficiência do setor industrial. Sua ênfase na inovação tecnológica e na competitividade global ajudou a impulsionar a indústria eletrônica e automotiva japonesa.
Medidas Favoráveis ao Setor Industrial
Diversas políticas foram introduzidas por esses ministros e outros que tinham uma visão estratégica do papel da indústria no desenvolvimento econômico. Por exemplo, a Lei de Promoção da Indústria de Máquinas, aprovada nos anos 1950, foi um marco para o fortalecimento da indústria de base. Essa lei oferecia incentivos fiscais e financiamento preferencial para empresas que investiam em pesquisa e desenvolvimento, o que estimulou o crescimento de setores como o de automóveis e eletrônicos.
O Ministério do Comércio Internacional e Indústria (MITI), criado em 1949 e transformado mais tarde em Ministério da Economia, Comércio e Indústria (METI), desempenhou um papel crucial na execução de políticas industriais. O MITI atuou como mediador entre o governo e as empresas privadas, incentivando a cooperação e o planejamento conjunto para aumentar a competitividade. Durante as décadas de 1970 e 1980, o MITI promoveu programas de pesquisa em conjunto com empresas privadas para desenvolver novas tecnologias, como semicondutores, que ajudaram a colocar o Japão na vanguarda da revolução tecnológica.
Impacto das Políticas Industriais
Essas medidas tiveram um impacto profundo no sucesso industrial do Japão. O foco em pesquisa e desenvolvimento, aliado a uma política de proteção inicial de indústrias emergentes e posteriormente de abertura controlada aos mercados internacionais, permitiu que empresas como Toyota, Sony e Mitsubishi Electric se tornassem líderes globais em seus respectivos setores. A criação de zonas industriais e o incentivo ao comércio exterior foram estratégias fundamentais para expandir a presença global do Japão e consolidar sua posição como potência industrial.
A relação entre os ministros do governo e o setor industrial foi, portanto, um fator determinante para o crescimento econômico sustentado do Japão. A experiência e o conhecimento prático de líderes como Ikeda e Nakasone garantiram que as políticas públicas fossem direcionadas não apenas ao crescimento de curto prazo, mas à construção de uma base econômica sólida e moderna, com uma ênfase em inovação, qualidade e eficiência.
Considerações Finais
A história do Japão nos mostra como a integração entre governo e indústria pode criar um ambiente propício para o desenvolvimento econômico. Os ministros que vieram do setor industrial e adotaram medidas pró-indústria moldaram a trajetória de sucesso do Japão, tornando o país uma das maiores potências econômicas do mundo. Essas ações não apenas transformaram a indústria doméstica, mas também estabeleceram um modelo de crescimento que inspirou outras economias ao redor do mundo.


Essa é a diferença entre um país que deseja e precisa crescer e se fortalecer frente à concorrência dos mercados mundiais, e países como o Brasil. Que desde o seu descobrimento, foi fadado a ser fornecedor de matéria-prima. Sem direito a se industrializar. Algo que era duramente reprimido pelas cortes portuguesas. Até Napoleão Bonaparte nos dar uma “mãozinha”, expulsando a família real para o Brasil.
Depois que mudamos de posição de colônia para reino, as coisas finalmente começaram a evoluir. Mas nunca deixamos de ser grandes exportadores de matéria-prima. E sempre fomos reprimidos no nosso desejo de nos industrializarmos. O Golpe de 64, com a tola (para os brasileiros)(e astuta solução criada basicamente pelo norte americanos) desculpa esfarrapada de “combater o comunismo”, serviu para solapar as indústrias nascentes aqui e em toda a America Latina. Dumping, sabotagem industrial nessa época, contra empresas genuinamente brasileiras, é o que mais se viu.
(A Ditadura dos Cartéis e O ABC do entreguismo no Brasil – dois livros ótimos dessa época explicam isso bem)
Nossa elite do atraso, agroindustrial, gente que já sacaneava o genial empresário Barão de Mauá, há quase dois séculos; para não perder o Poder, torpedearam suas tentativas de fazer daqui, um país próspero, industrializado e criador de produtos finais acabados.
Essa diferença de mentalidade, faz uma diferença enorme, quando se pensa num projeto de país. Comparando Japão e Brasil.