Monitor FGV: Investimento e consumo sustentam o PIB em maio

A economia brasileira voltou a crescer em maio, mas por baixo dos números positivos aparecem os sinais de uma desaceleração. É o retrato que emerge do Monitor do PIB da FGV IBRE (nº 128, referente a maio de 2026), divulgado na segunda-feira no Rio de Janeiro. O indicador mensal apontou alta de 0,7% na margem — na série dessazonalizada, ante abril — depois de uma leve queda de 0,1% no mês anterior. Na comparação interanual, o avanço foi de 1,2% sobre maio de 2025.

O que chama atenção é a composição desse crescimento. Enquanto investimento e consumo das famílias dão fôlego à atividade, os serviços e o comércio exterior puxam para o outro lado.

Investimento sai do fundo do poço

Depois de meses de retração, a formação bruta de capital fixo (FBCF) voltou ao terreno positivo. Na taxa trimestral móvel comparada ao mesmo período do ano anterior, o investimento saiu de quedas expressivas — chegou a recuar 5,8% em janeiro e 5,5% em fevereiro deste ano — para variações positivas de 1,3% em abril e 2,0% em maio.

A taxa de investimento mensal também reflete essa recuperação: depois de despencar para 16,9% do PIB em dezembro de 2025, o menor patamar da série recente, voltou a subir e alcançou 18,6% em maio. Ainda abaixo dos picos de 19,7% e 19,8% observados ao longo de 2024 e no início de 2025, mas em nítida retomada frente ao fundo do fim do ano passado.

Consumo das famílias acelera na média

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias mostrou aceleração na média móvel trimestral: saiu de patamares muito fracos no segundo semestre de 2025 — de 0,2% a 0,6% — para 2,6% em abril e 3,3% em maio, na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior. É o ritmo mais forte desde o fim de 2024.

O detalhe, porém, está no dado mensal. Na comparação de maio contra maio de 2025, o consumo das famílias recuou 0,1%, o pior resultado desde abril de 2025. Ou seja: a média trimestral vem embalada por meses anteriores mais fortes, mas o mês fechado já mostra perda de tração.

Serviços perdem força

O ponto de maior atenção está nos serviços, que respondem por quase 70% do PIB pelo lado da oferta. O setor subiu apenas 2,0% no trimestre encerrado em maio ante igual período de 2025 — a taxa trimestral mais fraca desde o trimestre finalizado em novembro do ano passado (1,6%). Na margem, a alta foi de meros 0,4% em maio ante abril, e de 1,0% na comparação interanual, a expansão mais tímida desde agosto de 2025.

Setor externo sob a sombra do tarifaço

O comércio exterior segue volátil, pressionado pelas questões ainda não resolvidas em torno do tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Em maio, as exportações cresceram abaixo das importações: na passagem de abril para maio, as vendas externas subiram 6,2% e as compras 1,9%.

Perspectiva

A economia brasileira pode crescer cerca de 2% em 2026 — desde que não seja atingida por “um tarifaço adicional”. O recado do Monitor do PIB é claro: o Brasil ainda avança, com investimento em recuperação e consumo resiliente na média, mas o motor dos serviços perde rotação e o ambiente externo, contaminado pela política comercial americana, adiciona incerteza ao segundo semestre.

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