Mozart e a complexidade da Música

*escrito por Angelo de Angelis para o BLOG

Um dos aspectos interessantes da complexidade são as intersecções entre Ciência e as artes, especialmente a música. Nos dias de hoje, robôs compõem, cantam e até executam peças dificílimas ao piano com impressionante rigor técnico. A indústria contemporânea de instrumentos musicais é um grande exemplo da tecnologia complexa aplicada à música. Marcas e fabricantes como Yamaha, Casio, korg e muitos outros são casos de sucesso impressionantes. Softwares imprimem partituras (o que aniquilou com as antigas editoras e lojas físicas de partituras e livros de exercícios musicais); captam sons de qualquer instrumento ou da voz humana, os “sampleiam”, podendo combiná-los de diversos modos e com diversos outros sons e até mesmo imprimi-los sob a forma de partituras ou tablaturas; os exemplos são infinitos.

A complexidade da indústria musical que hoje faz parte do nosso cotidiano tem raízes na velha Europa do Século XVIII. A invenção do piano na Itália por Bartolomeo Cristofori em 1709, um instrumento extremamente complexo para a época, ilustra bem este aspecto. Outro exemplo que chama bastante a atenção está na série de 3 episódios sob o título de “A Vida de Mozart”, disponível em

No capítulo 3, há duas coisas fantásticas. A primeira, encenada entre os minutos 14:50 e 16:43, mostra que Mozart compôs sinfonias complexas que eram executadas por brinquedos mecânicos altamente sofisticados em um museu de Viena. Da mesma forma, bonecos mecânicos de cera que beiravam à perfeição e simulavam movimentos humanos, também “tocavam” música de Mozart. Uma visitante do museu, na cena, perplexa com o que via e ouvia, diz: “Mozart agora compõe para bonecos de cera…. e para caixas de música!” Tudo isso, pasme, em uma Viena em pleno século XVIII. A segunda é a apresentação da primeira encenação da Flauta Mágica do compositor austríaco, um primor de música complexa (e bela) e estrutura cênica igualmente complexa. Estes são exemplos de como as bases da complexidade também têm raízes históricas advindas da união das artes com a Ciência, muito exploradas por países que hoje possuem altos níveis de renda e de complexidade de atividade econômica.

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